Adeus a Ester Lisboa, defensora dos direitos humanos e criadora do Transcidadania

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“Uma estrela piscou no nosso céu.” Foi assim que a ONG Koinonia Presença Ecumênica e Serviço anunciou a morte de Ester Leite Lisboa, assistente social, ativista e uma das mais importantes defensoras dos direitos humanos, da população LGBTQIA+, das mulheres e das pessoas vivendo com HIV e aids no Brasil.

Ester morreu neste domingo (14), aos 64 anos. A cerimônia de despedida acontece nesta segunda-feira (15), às 20h, no Crematório da Vila Alpina, em São Paulo.

Reconhecida por sua trajetória no campo dos direitos humanos, Ester deixou marcas profundas em movimentos sociais, organizações da sociedade civil e políticas públicas voltadas à inclusão e à cidadania. Entre suas contribuições mais conhecidas está a criação e coordenação do programa Transcidadania, implementado durante a gestão do ex-prefeito Fernando Haddad na cidade de São Paulo.

A iniciativa tornou-se referência nacional ao promover acesso à educação, qualificação profissional e garantia de direitos para travestis, mulheres trans e homens trans em situação de vulnerabilidade social.

Mas para quem conviveu com Ester, sua importância ultrapassava os cargos e projetos que ajudou a construir. Na homenagem divulgada pela Koinonia, organização onde atuava como assessora, ela é lembrada como uma presença afetuosa, inquieta e profundamente comprometida com o cuidado.

“Ou foi um cometa de paixão que iluminou tantas vidas, que deixou um rastro de sonhos por onde passou e em quem tocou”, escreveu a entidade.

Ao longo de décadas de militância, Ester esteve próxima de populações historicamente marginalizadas. Atuou ao lado de pessoas vivendo com HIV, da população em situação de rua, de mulheres submetidas a diferentes formas de violência e de pessoas LGBTQIA+ que encontravam barreiras para acessar direitos básicos.

Sua atuação combinava conhecimento técnico, sensibilidade social e uma profunda dimensão espiritual. Na homenagem, a Koinonia destaca que “salvar o mundo era tarefa de todo dia”, descrevendo uma mulher que fazia do acolhimento uma prática permanente.

“Estar sempre empática a tudo e a toda gente era o seu bem-viver”, afirma o texto.

A ligação entre fé e compromisso social também aparece como uma das marcas de sua trajetória. Organização de inspiração ecumênica, a Koinonia relembrou Ester como alguém que vivia o cristianismo na sua forma mais concreta.

“Se o cristianismo entre nós tivesse um nome a apontar, todas seríamos unânimes ao apontar em Koinonia: Cristo, seu nome é Ester.”

A mensagem também recorda sua capacidade de permanecer presente mesmo diante das próprias dificuldades.

“No abraço fofo, no sorriso incansável, na graça do amor a quem vivia em situações-limite, como gente de rua, com HIV, crédula, incrédula, lutando ou aprendendo a lutar, Ester não se conformava sem conseguir fazer um gesto, uma ação, uma palavra.”

Para amigas, amigos, companheiras e companheiros de militância, fica o legado de uma mulher que ajudou a transformar políticas públicas e, ao mesmo tempo, construiu vínculos humanos profundos.

Sua história se confunde com a história de lutas por cidadania, dignidade e inclusão no Brasil das últimas décadas.

Ao se despedir, a Koinonia recorreu novamente à imagem das estrelas para expressar a permanência de sua memória. “Estrela querida, dizem que vocês só se apagam após milênios. Então foi só uma piscadela, um flash que vimos de você nessa sua pequena parada e saída em paz, um piscar de olhos celestial.”

Ester Lisboa parte deixando saudade, mas também uma herança que permanece viva nas pessoas que acolheu, nas políticas que ajudou a construir e nos direitos que defendeu até o fim.

Como uma estrela que continua brilhando muito depois de desaparecer do horizonte.

#ester,presente!

Redação da Agência de Notícias da Aids

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