ACESSO À INFORMAÇÃO SOBRE DST/AIDS E AUMENTO DA EPIDEMIA ENTRE IDOSOS FORAM TEMAS DE DESTAQUE NO AUDITÓRIO PÚBLICO, NA TARDE DE SEXTA-FEIRA EM SP

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3/12/2006 – 14h00

Jornalista Heródoto Barbeiro é âncora em debate promovido no centro da cidade

O público que transitou pelo Largo São Bento, centro de São Paulo, acompanhou na tarde da sexta-feira, 1º de dezembro, o auditório público “Falando Sobre Aids” com os jornalistas Heródoto Barbeiro e Patrícia Palumbo, além da presença dos médicos infectologistas Robinson Camargo e Eliana Gutierrez. Os ativistas que marcaram presença foram Américo Nunes e João Francisco Teodoro. Eduardo Barbosa representou o Programa Nacional de DST/Aids. Entre os diversos temas tratados durante duas mesas-redondas, os principais foram o aumento de casos de Aids em pessoas da 3ª Idade e o acesso às informações sobre a epidemia.

“Como uma gripe pode afetar um soropositivo? Quais os meios de contágios do vírus HIV? Por que não prevenção nas escolas?” Estas e outras perguntas mais polêmicas fizeram parte do evento na tarde desta sexta. Tendo como um dos temas principais, o aumento de casos de Aids entre idosos, Maria Clara Gianna, Coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de SP, comentou o tema com a âncora Patrícia Palumbo. “O aumento de casos de Aids entre idosos mostra que o brasileiro está exercendo maior a sua sexualidade, mas ainda precisamos descobrir formas de ensinar esse público sobre camisinha”, comentou.

No entanto, não houve consenso se o aumento de casos se deve às vendas de medicamentos de disfunção erétil.

A faixa etária da população de 50 a 59 anos teve um aumento da taxa de incidência, entre os homens, de 18,2 para 29,8 a cada 100 mil habitantes, no período de 1996 a 2005. Entre as mulheres esse aumento foi ainda maior, cresceu de 6,0 para 17,3. Neste mesmo período, houve também crescimento da taxa de incidência entre homens e mulheres com mais de 60 anos. Nos homens a incidência de casos de que era de 5,9 passou para 8,8 e nas mulheres de 1,7 para 4,6.

Gianna dividiu o debate da primeira mesa na parte da tarde com médico infectologista do SAE (Serviço de Atendimento Especializado em DST/Aids) de Sapobemba, Robinson Camargo e o ativista do instituto Vida Nova, João Francisco Teodoro, de 60 anos, que comentou com o público como foi conviver com o preconceito, quando contraiu o vírus, há mais 10 anos. Todos eles também esclareceram o público sobre dúvidas gerais em HIV/Aids.

Acesso à informação

Na última mesa-redonda da tarde desta sexta, ancorada pelo jornalista Heródoto Barbeiro, parte do público se aproximou mais do palco fazendo perguntas polêmicas ao ativista Américo Nunes, presidente do Fórum de ONG/Aids de SP, Eduardo Barbosa, chefe de articulação com a sociedade civil no Programa Nacional de DST/Aids, e para a Dra. Eliana Gutierrez , Diretora Casa da Aids no Hospital das Clínicas.

Adolescentes presentes no evento questionaram sobre a falta de divulgação sobre a Aids em veículos de massa. “Temos trabalhos específicos para diversas regiões do país, além de algumas campanhas em massa. Mas a sociedade tem que saber ocupar mais espaços na busca de informação, a internet é uma grande ferramenta, o Orkut, os blogs e sites em geral. A sociedade não pode esperar só do governo, mas saber ir atrás e cobrar até da mídia”, disse Barbosa.

Américo Nunes ainda acrescentou que o movimento de ativistas não sabe se articular nessa questão. “A mídia só procura ativistas em datas específicas para pedir pessoas com determinados perfis, como se fossemos armários com diferentes tipos de ativistas. Nós temos que aprender a pautar mais a mídia e fornecer dados, uma base mais concreta”, afirmou.

Os participantes ainda debateram sobre religião e alternativas de tratamentos aos anti-retrovirais, como a acupuntura, mas também não houve um desfecho para os temas.

“O evento comprovou que a sociedade também possui informação, mas ainda falta dialogar mais, eles querem compartilhar conhecimento e esse foi objetivo desse evento”, comentou Eduardo Barbosa.

O Programa Municipal de DST/Aids distribuiu no local 100 mil preservativos ao longo de todo o dia. O auditório público foi realizado em parceria com a Agência de Notícias da Aids.

Rodrigo Vasconcellos

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