ABORDA DIVULGA NOTA OFICIAL APOIANDO CARTAZ POLÊMICO DO PROGRAMA NACIONAL DE DST/AIDS

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19/2/2007 – 12h00

A Associação Brasileira de Redutoras e Redutores de Danos (ABORDA) divulgou na última quinta-feira, 15, nota oficial manifestando seu apoio ao Programa Nacional em relação ao cartaz de prevenção às DST/Aids produzido para ser utilizado em bares (saiba mais). Na segunda-feira, 12, o ativista José Araújo de Lima, coordenador da AFXB do Brasil (Casa de Apoio a Crianças que vivem com HIV/Aids em São Paulo), entrou com representação no Ministério Público Federal pedindo a retirada do cartaz e sua adequação. Para ele, o material, voltado para bares, induz o consumo de álcool.( leia). Para a ABORDA, “ao associar os riscos do consumo de drogas à prática de sexo desprotegido, o Programa Nacional de Aids acerta em cheio. Está incentivando não o uso de drogas, mas o cuidado de si.” Leia a nota na íntegra.

INCENTIVO AO CUIDADO DE SI

NOTA OFICIAL DA ABORDA SOBRE A CAMPANHA DE CARNAVAL DO PROGRAMA NACIONAL DE AIDS

Nós, militantes do movimento de Redução de Danos, nos acostumamos às denúncias de que, por meio de práticas de promoção de saúde, incentivamos ao uso de drogas associadas. Em 1989, os coordenadores daquele que seria o primeiro Programa de Redução de Danos do Brasil foram tratados como criminosos, porque orientavam às pessoas que usavam drogas injetáveis sobre cuidados para se reduzir danos e riscos decorrentes de tais práticas. Enquanto isto, ninguém problematiza o fato de que o imperativo “aprecie” presente nos comerciais de bebidas alcoólicas não se constitui em estratégia de promoção de saúde, mas em continuidade da propaganda. E o que dizer de lindas mulheres, comediantes, cantores de samba e jogadores de futebol que se apresentam como endossers de uma droga?

Já faz tempo, temos percebido que a repressão violenta sofrida pelos consumidores de algumas drogas contrasta com o excesso de liberdade com a qual as recomendações de uso de bebidas alcoólicas circulam entre nós. Necessitamos urgentemente de uma política de drogas que seja digna do adjetivo “nova”, e que tenha a real capacidade de regulamentar as relações de produção, circulação, propaganda e consumo de drogas. De TODAS as drogas.

A opinião da ABORDA é de que, ao associar os riscos do consumo de drogas à prática de sexo desprotegido, o Programa Nacional de Aids acerta em cheio. Está incentivando não o uso de drogas, mas o cuidado de si. Que esta campanha seja a primeira de uma série. Nosso entendimento é de que, ao preocupar-se com a prevenção das DST’s e Aids entre pessoas que usam drogas – lícitas ou não – o governo brasileiro amplia consideravelmente o conceito de Redução de Danos. Algo que todos nós que trabalhamos com esta estratégia, julgamos fundamental.

Elandias Bezerra Souza
Presidente da ABORDA

São Paulo, 15 de fevereiro de 2007

Redação Agência de Notícias da Aids

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