O XVII Seminário de Pesquisas em IST/Aids teve sua abertura na manhã desta sexta-feira (28), já com auditório cheio no Hotel Pestana, reunindo profissionais da rede municipal, pesquisadores, representantes de organismos internacionais e lideranças da sociedade civil. A cerimônia reforçou o compromisso de São Paulo com a pesquisa aplicada, a inovação em prevenção e o enfrentamento das desigualdades que ainda marcam a epidemia.
A mesa de abertura contou com Mariza Vono Tancredi, do Programa Estadual de IST/Aids de São Paulo, Carmen Silvia Carmona de Azevedo, do Comitê de Ética em Pesquisa da SMS/SP, Mariana Braga, da Unesco Brasil, Dra. Valdiléa Velos, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas/Fiocruz, Cristina Abbate, da Coordenadoria Municipal de IST/Aids, Luiz Artur Vieira, chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Saúde e Sandra Sabino, secretária-executiva da Atenção Básica, Especialidades e Vigilância em Saúde.
A pesquisa aplicada precisa estar no centro
A abertura foi iniciada com fala de Mariza Vono Tancredi, que destacou a importância histórica do seminário e reafirmou o papel da pesquisa como motor de aprimoramento dos serviços:
“A pesquisa aplicada precisa estar no centro das nossas estratégias. Ela nos mostra caminhos para diagnósticos mais inclusivos, respostas mais eficientes e, principalmente, mais humanas. É assim que fortalecemos a prevenção e o cuidado, colocando a dignidade das pessoas no foco.”
Mariza ressaltou ainda que a resposta ao HIV não é apenas uma pauta sanitária, mas social: “O enfrentamento do HIV não é só uma questão de saúde. É uma questão de direitos humanos, autoestima e valorização da vida.”
Pesquisa como ferramenta para reduzir desigualdades
Impossibilitada de comparecer presencialmente, Mariana Braga, da Unesco Brasil, enviou mensagem destacando o papel da produção de evidências na resposta global ao HIV:
“O HIV continua sendo um desafio mundial. Por isso, investir em pesquisas que analisem impactos sociais, culturais e estruturais é essencial para desenvolver respostas eficazes às diversas populações. As evidências apresentadas hoje dialogam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”
Mariana também elogiou a trajetória de parceria entre a Unesco e a cidade de São Paulo, destacando o trabalho conjunto com Cristina Abbate na qualificação da política municipal.
Ciência, participação e voluntariado
A pesquisadora Dra. Valdiléa Veloso, do INI/Fiocruz, destacou a relevância do evento para a integração entre academia e serviços: “O seminário reafirma a importância da ciência e da sustentabilidade na resposta ao HIV. Trabalhar junto com as equipes dos serviços e com a sociedade civil é o que nos permite avançar.”
Ela celebrou ainda a colaboração entre instituições e o compromisso histórico da cidade com inovação.
“A ciência nos traz opções inéditas — agora precisamos garantir que cheguem a quem mais precisa. A PrEP de longa duração é uma oportunidade histórica, mas só fará diferença real se houver políticas, logística e voz das comunidades na ponta.”, acrescentou a Dra. Beatriz Grinsztejn, presidente da International Aids Society.
Memória, avanço e compromisso com o SUS
Coordenadora municipal de IST/Aids, Cristina Abbate emocionou o público ao homenagear pessoas que vivem com HIV — especialmente aquelas que fizeram história desde os anos 1980. “Hoje é um dia de celebração, mas também de memória. Avançamos muito, mas nunca esquecemos o caminho percorrido e quem esteve nele. São Paulo só se tornou referência porque profissionais, gestores e usuários construíram, juntos, uma rede que tem como princípio o cuidado e o respeito.”

Cristina Abbate em sua fala durante o seminário
Cristina também reforçou que o seminário é um espaço de reflexão e produção coletiva: “Esses encontros são inspiração e compromisso. Que as ideias discutidas aqui se transformem em práticas concretas, capazes de garantir vidas dignas, com cuidado humanizado e acesso à saúde.”
Representando o secretário municipal da Saúde, Sandra Sabino afirmou que o momento atual da Secretaria é marcado por fortalecimento da carreira pública e ampliação dos serviços: “Ter profissionais de carreira ocupando cargos de gestão fortalece a política pública e qualifica as decisões. São Paulo segue como referência nacional porque temos equipes comprometidas e uma rede robusta, que trabalha baseada em evidências.”

Sandra Sabino em sua fala durante o seminário
O chefe de gabinete, Luiz Artur Vieira, lembrou que os serviços públicos de saúde na cidade têm boa avaliação. “Quando falamos do SUS na cidade de São Paulo, estamos falando de uma rede que atende mais de 12 milhões de pessoas e que só se sustenta porque combina ciência, vigilância e compromisso com a equidade. A agenda de IST/Aids é um exemplo concreto disso. Aqui, pesquisa não fica na prateleira — ela orienta práticas, forma equipes, reorganiza fluxos e, principalmente, garante que populações historicamente vulnerabilizadas tenham acesso real às melhores tecnologias disponíveis. O SUS paulistano tem mostrado que é possível inovar sem perder a perspectiva do cuidado e dos direitos, e esse seminário reforça o que fazemos de melhor: transformar conhecimento em política pública.”

Luiz Vieira em sua fala durante o seminário
Ética como pilar da produção científica na rede
A coordenadora do Comitê de Ética e Pesquisa, Carmen Silvia Carmona de Azevedo, destacou o trabalho das equipes dos serviços que realizam pesquisas no cotidiano: “Fazer pesquisa na rede municipal exige disciplina, organização e compromisso. A ética é o que sustenta essa produção e garante que o conhecimento gerado respeite as pessoas que participam dos estudos.”
As falas da manhã criaram o clima para o restante da programação, que inclui apresentação de estudos, debates sobre inovações como PrEP de longa duração, novos testes diagnósticos e pesquisas conduzidas nos serviços da própria rede municipal.

O seminário segue ao longo do dia com discussões sobre prevenção combinada, adesão ao tratamento e estratégias para redução de desigualdades — reafirmando que São Paulo mantém a ciência e os direitos humanos como pilares de sua resposta ao HIV/Aids.
Redação da Agência de Notícias da Aids
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Coordenadoria de IST/Aids de São Paulo
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