A vida não pode esperar: Mopaids denuncia retrocessos globais e cobra acesso a inovações no SUS

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Neste Dia Mundial da Saúde, o Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids) chama a atenção para os impactos das políticas internacionais e nacionais na resposta à epidemia de HIV/aids, especialmente sobre populações historicamente marginalizadas. Com o lema “A vida não pode esperar”, o movimento publicou um documento reforçando o apelo por justiça social, acesso à saúde e compromisso real com a vida.

De acordo com o Mopaids, decisões políticas tomadas pelo governo dos Estados Unidos, como o corte de recursos do PEPFAR (Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da Aids) e o esvaziamento da Usaid, afetaram profundamente programas de saúde em diversos países, especialmente em regiões de baixa e média renda. Milhões de pessoas perderam o acesso a medicamentos, testes e ações de prevenção. Entre os mais prejudicados, estão pessoas trans, profissionais do sexo, homens gays, mulheres negras e jovens em situação de vulnerabilidade.

“O desmonte promovido por uma política externa conservadora teve consequências concretas: vidas foram interrompidas pela negligência e pela omissão do Estado”, alerta o Mopaids.

No Brasil, o cenário também exige atenção. Apesar dos avanços científicos — como medicamentos de ação prolongada que facilitam o tratamento e a prevenção do HIV — essas tecnologias ainda não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O motivo, segundo o movimento, é o alto custo imposto pelos laboratórios que detêm a patente desses medicamentos, o que inviabiliza sua incorporação de forma justa e sustentável.

*”A inovação existe, mas segue aprisionada pela lógica do lucro, em vez de estar a serviço da vida”, afirma o coletivo.

O Mopaids cobra uma resposta firme do governo brasileiro: negociação de preços justos, fortalecimento da produção local e ampliação da participação social nas decisões de saúde. Para o movimento, é urgente democratizar o acesso à ciência e retomar políticas internacionais pautadas na solidariedade e na cooperação.

“O Brasil não pode recuar diante da chantagem da indústria farmacêutica. A saúde é um direito, não uma mercadoria”, conclui o manifesto.

Neste 7 de abril, a mensagem é clara: a luta contra a aids continua. E continua sendo uma luta por dignidade, por equidade e por um sistema de saúde público, gratuito e universal que não deixe ninguém para trás.

Leia o documento na íntegra:

A vida não pode esperar: por um compromisso real com a saúde global e a inovação no Brasil

Neste Dia Mundial da Saúde, o Movimento Paulistano de Luta contra a Aids se soma às vozes que, em todo o mundo, denunciam o desmonte das políticas globais de saúde e reafirmam o compromisso com a vida, os direitos humanos e a equidade no acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento da aids.

Não podemos silenciar diante do impacto devastador das decisões tomadas pelo governo dos Estados Unidos durante a gestão Trump. A descontinuidade do financiamento da PEPFAR (President’s Emergency Plan for Aids Relief) e o desmonte da USAID, agência que por décadas apoiou ações de saúde pública em países de baixa e média renda, significaram um golpe profundo nas estruturas de combate à epidemia de HIV/aids em diversas partes do mundo.

Milhões de pessoas deixaram de ter acesso a medicamentos, testes rápidos e ações de prevenção – especialmente populações historicamente marginalizadas como pessoas trans, profissionais do sexo, homens gays e outros HSH, além de mulheres negras e jovens em contextos de vulnerabilidade. A política externa americana, pautada pelo conservadorismo e pela exclusão, abandonou compromissos humanitários e produziu consequências concretas: vidas interrompidas pela negligência e pela omissão do Estado.

Esse cenário nos alerta sobre a importância da soberania em saúde e da ampliação de políticas públicas que garantam acesso universal a tecnologias inovadoras.

Enquanto isso, no Brasil, apesar de avanços científicos que nos colocam diante de uma nova era no enfrentamento da aids — com medicamentos de ação prolongada, capazes de facilitar a adesão e transformar radicalmente o cuidado — a população ainda não tem acesso a essas tecnologias no SUS.

Por quê?

Porque os laboratórios que detêm a patente desses medicamentos têm imposto preços inacessíveis e imorais, impedindo que o Estado brasileiro possa incorporá-los de forma justa e sustentável ao Sistema Único de Saúde. A inovação existe, mas segue aprisionada pela lógica do lucro, em vez de estar a serviço da vida.

Essa situação é inaceitável. O Brasil, que já foi referência mundial em acesso universal a antirretrovirais, não pode recuar diante da chantagem da indústria farmacêutica. Precisamos de uma resposta firme do governo brasileiro, com vontade política para negociar preços justos, fortalecer a produção local e garantir a participação social na definição das prioridades em saúde.

O futuro do enfrentamento ao HIV/aids passa pela democratização da ciência, pela incorporação urgente de tecnologias de ponta no SUS e pela retomada de uma política internacional de solidariedade e cooperação.

Seguiremos em luta, resistindo a toda forma de negligência — seja ela nacional ou internacional — e reafirmando que a saúde é um direito e não mercadoria.

Porque a vida não pode esperar. Porque ninguém fica para trás. Porque a luta contra a aids continua.

A luta contra a aids sempre foi, também, uma luta por justiça social. O desfinanciamento global e o negacionismo institucional não nos intimidam – nos fortalecem. Seguiremos mobilizados e vigilantes, em defesa do SUS, da ciência e da vida.

Dica de entrevista

Mopaids

Site: www.mopaids.org.br

 

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