Epidemiologista e médico dermatologista, Dr. Gerson Fernando Pereira que morreu aos 66 anos, em decorrência de uma pneumonia, comoveu amigos, parceiros de trabalho, integrantes do movimento social e também ex-diretores do Departamento que ele dirigiu. A Agência Aids conversou com o Dr. Pedro Chequer e com o pesquisador Alexandre Grangeiro. Ambos exaltaram a dedicação e compromisso do amigo Gerson.
Alexandre Grangeiro, pesquisador, ex-diretor do Depto. Aids

“Desde que soube da morte de Gerson, tenho sido tomado por um sentimento difícil de expressar. A notícia me fez refletir sobre a efemeridade da vida e sobre o afeto e as memórias.
Entre essas memórias, as que permanecem mais vivas em mim são os encontros e conversas que tive com Gerson durante o governo Bolsonaro. Em um cenário de profunda violência institucional, ele manteve uma serenidade e um pragmatismo que permitiram não apenas preservar a essência das políticas de enfrentamento ao HIV, à hanseníase e à tuberculose, mas também conquistar avanços mínimos que pareciam impossíveis — como a ampliação da oferta de PrEP para adolescentes a partir dos 15 anos no SUS.Penso que essa sabedoria de navegar por mares revoltos nos marca profundamente — e torna, para mim, o Gerson presente na minha trajetória. Um abraço, amigo.”
Dr. Pedro Chequer – médico, consultor internacional em HIV/Aids, ex-diretor do Depto. de Aids

“Partiu mais um grande amigo e militante da causa do SUS! Conheci o Gerson quando ele estava na antiga Divisão de Dermatologia Sanitária. Servidor público dedicado e cioso de seus compromissos, buscando sempre dar seu melhor no exercício profissional. Tive o privilégio de ser seu colega de trabalho quando Coordenador do programa de AIDS e ele à frente da área de epidemiologia. Sempre sereno e gentil, mesmo na adversidade.
Dirigiu o Departamento em um dos momentos mais difíceis do Ministério quando este estava sob o comando de uma gestão errática e negacionista e conservadora, o que certamente dificultou a implementação de ações programáticas pertinentes à área. Mesmo assim, se manteve fiel aos princípios que norteiam a saúde pública, sempre buscando aplicar o método científico fundamentado em evidências. Partiu, mas deixa sua contribuição que sem dúvida engrandece a Casa a que serviu por décadas!”

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