A encruzilhada da saúde mental global, destaca Outra Saúde na coluna Cuidar das pessoas, cuidar das cidades

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(* Ilustração: People Matters)

No próximo mês, ocorrerão dois importantes eventos da agenda da saúde mental global, com potencial de impactar as políticas de saúde mental dos países nos próximos anos.

Em Nova Iorque, será realizado o UN High-Level Meeting on the Prevention and Control of Noncommunicable Diseases and the Promotion of Mental Health, evento da Organização das Nações Unidas que reúne chefes de Estado e outros atores sociais para revisar os avanços dos países no enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis e na promoção da saúde mental. Este encontro focará os debates em ações e estratégias para integrar essas duas agendas com base no princípio da equidade, construindo e pactuando formas de governança e de financiamento para a saúde mental.

Na sequência, em Doha, no Catar, o 6th Global Ministerial Mental Health Summit reunirá líderes governamentais para debater e avançar no compromisso político global com a saúde mental. Este encontro foi proposto com a chamada:  “Transformando a saúde mental por meio de investimento, inovações e soluções digitais”. Nele serão pautados debates sobre políticas de saúde para o uso de substâncias, ações focadas em crianças e adolescentes, ampliação da participação no desenho do serviço de pessoas com experiência de sofrimento, além de um tema que se impôs como realidade da agenda da saúde mental (de bom ou de mau grado): as tecnologias digitais.

Nas cinco edições anteriores os temas debatidos por chefes e representantes de Estado estavam relacionados, principalmente, à temas estruturantes de legislações e políticas públicas em saúde mental: equidade em saúde mental, suporte psicossocial, direitos humanos, serviços baseados na comunidade, e saúde mental em todas as políticas. Já nesta edição, ganha destaque um tema que entrou pela porta dos fundos nas políticas públicas de saúde e agora exige atenção.

Discursos globais

Vivemos um momento ímpar no cenário internacional para esses debates.

No evento promovido pela ONU, será estratégico assegurar a integração das agendas da saúde mental, saúde do cérebro e uso de substâncias e das doenças crônicas não transmissíveis e, ao mesmo tempo, diferenciá-las. De fato, é preciso integrar respostas porque, por exemplo, é bem estabelecido que consumo de álcool e o uso de tabaco são fatores modificáveis para diversas doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares; também se sabe que a experiência de viver com câncer, por exemplo, pode impactar significativamente a experiência de saúde mental.

Além disso, em todo o mundo, o acesso regular a serviços de saúde geral para cuidar, por exemplo, de hipertensão e diabetes, segue sendo uma enorme lacuna no cuidado de pessoas com problemas de saúde mental. Que o digam muitos trabalhadores que, no Brasil, enfrentam desafios cotidianos para assegurar que pessoas que são usuárias de Centros de Atenção Psicossocial acessem sem barreiras as Unidades Básicas de Saúde. Portanto, é necessário construir uma agenda comum que responda às necessidades de cuidado das pessoas.

Ao mesmo tempo, será fundamental que a agenda específica da saúde mental pública ganhe destaque. Em muitos países, os sistemas de saúde mental ainda são baseados em instituições asilares que violam direitos, quando o necessário é reorientar os modelos de atenção para serviços e práticas de base comunitária e territoriais, articuladas à promoção da cidadania.

 Publicação  https://outraspalavras.net/outrasaude/a-encruzilhada-da-saude-mental-na-oms/

Por Cláudia Braga, para a coluna Cuidar das pessoas, cuidar das cidades

 

 

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