“A aceitação do diagnóstico de HIV melhora o tratamento e garante maior qualidade vida’’, defende a ativista Sabrina Luz

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Uma voz obstinada na luta contra a transfobia, a sorofobia e todos os tipos de preconceitos: Sabrina Luz. Nascida e criada no Ceará, em uma cidade próxima a capital Fortaleza, Sabrina é uma mulher trans vivendo com HIV e uma ativista cristã, que além de vencer aids, enfrentou e venceu também um câncer de pele. 

Ao entrar no perfil de uma das redes sociais de Sabrina – que alcança a marca de quase 20 mil seguidores – é possível ver a palavra ‘acolhimento’ estampada logo de cara. Esta palavra, de fato, tem se transformado em uma prática diária na vida da ativista, que tem sua fé como fio condutor para lutar contra as desigualdades e ajudar os mais necessitados.

Sabrina foi a convidada da coluna ‘‘Senta Aqui, com Marina Vergueiro’’ desta semana, que foi ao ar na noite da última segunda-feira (19/6), no Instagram da Agência Aids.

À colunista e jornalista, Marina Vergueiro, ela contou que o HIV chegou na sua vida há pouco mais de 13 anos, já em estágio de aids, e assim como a maioria esmagadora dos pacientes de HIV/aids, teve certa dificuldade de aceitar seu diagnóstico e sofreu inúmeros estigmas ao longo de sua história por simplesmente ser quem se é.

Entretanto, contou que não demorou para aderir ao tratamento. ‘‘Eu entendi que se eu não aceitasse o meu diagnóstico isto não me faria bem e talvez até prejudicasse meu tratamento’’.

“A aceitação do diagnóstico melhora o nosso tratamento e dá mais qualidade vida, uma vez que eu me aceito eu dificilmente vou falhar nas minhas consultas, falhar nas minhas medicações…’’, falou.

Porém, isto não isentou Sabrina de passar por grandes desafios. A aceitação que estava cada vez conquistando dentro de si, faltava dentro de casa. Segundo ela, sua família e parentes a discriminaram e rejeitaram por viver com o vírus desenvolvedor da aids.

Por tempos precisou viver em uma casa de acolhida para pessoas vivendo com HIV/aids, lugar onde pode receber cuidado e apoio integral, incluindo assistência nutricional, já que a aids fragilizou seu corpo a ponto de não conseguir se alimentar; consequentemente, Sabrina gradativamente foi adoecendo e emagrecendo, mas na organização cearense que lhe abraçou, recebeu suplementações que a ajudaram a recuperar sua saúde, tanto física, quanto psicológica e emocional.

A nordestina afirmou que usa a sua história de superação como instrumento para alcançar outras vidas e empoderar pessoas. Atualmente, na sua terra, seu projeto social ‘‘Ser Luz’’, no Ceará, já ajudou diversas pessoas carentes.

‘‘Não tive uma infância boa, eu não tinha direito de brincar, de ser quem eu era… morava com uma tia e  sempre tive que cuidar da casa, mesmo menor de idade, lavava roupa, cuidava da limpeza… sofri muito, uma vez cheguei até fugir de casa’’, compartilhou.

De acordo com Sabrina, foi quando completou a maioridade e então começou a trabalhar formalmente e receber por isto, que conquistou enfim sua independência financeira.

‘’Foi a partir daí e no momento que tive a oportunidade de ser quem eu era, que a minha vida foi melhorando’’, destacou.

Este mês completam-se 17 anos desde que Sabrina Luz se abriu inteiramente para o mundo acerca de sua transgeneridade, realizando sua transição, em meio a Parada do Orgulho LGBT+ de Fortaleza.

Hoje, ela encontrou o amor, amparado, o respeito e a dignidade que há tempos procurava e não achava. Sabrina leva uma vida como qualquer outro indivíduo. Feliz e saudável, ela desfruta do melhor da vida ao lado de seu companheiro, Bernardo Luz.

Assista a live na íntegra:

 

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Uma publicação compartilhada por Agência de Notícias da Aids (@agenciaaids)

Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista 

Sabrina Luz

Instagram: @sabrinaluz_pessoa

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