Senta Aqui: Médico Carué Contreiras enfatiza que ainda hoje há muitos profissionais de saúde desatualizados sobre os conhecimentos científicos do HIV

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Na noite desta terça-feira (25/7), a jornalista Marina Vergueiro recebeu na coluna ‘‘Senta Aqui’’, no Instagram oficial da Agência Aids, o médico pediatra e sanitarista: Carué Contreiras. Os dois conversaram sobre saúde, inclusão e superação. Carué, que atua no Centro de Referência e Treinamento DST/Aids de São Paulo, compartilhou sua dedicação em acolher jovens e adolescentes trans e HIV+, além de dividir um pouco da sua experiência de trabalho na pediatria geral e da sua relação pessoal com o HIV, já que também é uma pessoa vivendo com HIV.

‘‘Faz muita diferença ser uma pessoa vivendo com HIV e atender outras pessoas vivendo com HIV/aids, a gente troca muitas experiências, criando referências especialmente para aquelas pessoas que acabaram de descobrir o diagnóstico e ainda não estão vinculadas às redes, aos movimentos sociais…’’, destacou.

Durante a live, dentre os importantes temas abordados, Carué e Marina conversaram sobre como o contexto social de vida impacta na patologia, e como o preconceito em torno do HIV, reproduzido, inclusive, por profissionais da área médica e por profissionais de saúde como um todo, podem comprometer o diagnóstico. Nesse sentido, o médico do CRT fez questão de chamar a atenção para a importância de combater a discriminação em prol de uma sociedade mais inclusiva, frisando a necessidade de conscientização e sensibilização para garantir um atendimento justo e acolhedor a todas as pessoas.

“Costumo dizer que estou numa, no setor de HIV, mas quem passa por outros setores da saúde, pode sim encontrar profissionais que ainda estejam presos aos símbolos de antigamente e desatualizados sobre os conhecimentos científicos do HIV”, falou.

A descoberta do diagnóstico

Carué compartilhou que descobriu o diagnóstico positivo para o HIV quando já era médico e bem-informado sobre a pauta; o conhecimento que tinha, lhe ajudou a atravessar esse momento com mais tranquilidade, além de poder contar com o apoio de sua parceria. ‘‘Descobri dentro de uma relação e nos apoiamos’’, contou. Entretanto, o profissional destacou que o início da adesão de tratamento foi traumático, em razão de efeitos colaterais ocasionados pelo Efavirenz, medicamento para o HIV que utilizava até então, mas com a mudança de esquema medicamentoso depois de quatro anos, Carué pode seguir com a terapia.

Na live, também celebrou o avanço das regulamentações que protegem o direito ao sigilo da sorologia positiva, garantindo a privacidade, dignidade e bem-estar das pessoas vivendo com o vírus, e incentivou punição da violação deste direito no rigor da lei.

“Um relatório do UNAIDS sobre preconceito e discriminação nos serviços de saúde mostrou diversas violações de direitos, como por exemplo, revelação de diagnóstico do parceiro (a) sem autorização. Uma das formas da gente combater isso é denunciando e buscando por ONGs de pessoas vivendo com HIV/aids”, encerrou.

Assista a conversa na íntegra:

 

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Uma publicação compartilhada por Agência de Notícias da Aids (@agenciaaids)

Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista

Carué Contreiras

Instagram: @carue.contreiras.pediatra

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