28/01/2007 – 10h30
Seguindo a média da região Nordeste, 82% das gestantes que fazem o pré-natal na Paraíba não são submetidas ao teste de HIV. Os dados, do Ministério da Saúde, foram repassados pelo gerente operacional do Programa Estadual de DST/Aids da Secretaria de Saúde do Estado, Ranulfo Cardoso. O resultado da falta do exame é refletido nos índices de transmissão vertical do vírus HIV – de mãe para filho, durante a gestação, parto ou amamentação.
Desde 1996, o teste de HIV faz parte da rotina do exame pré-natal, mas só pode ser realizado com autorização da gestante. A situação da Paraíba é semelhante à realidade nacional. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que, a cada 100 gestantes brasileiras, 96 fazem pelo menos uma consulta médica pré-natal. Destas, 38 não são submetidas ao teste para detectar o vírus HIV.
Segundo o levantamento da Fiocruz, a transmissão vertical chega a 8% no Brasil. Na região Nordeste esse valor sobe para 15%. De acordo com Ranulfo Cardoso, que é médico em saúde pública, em 30% dos casos, as gestantes portadoras do HIV transmitem o vírus para o bebê. Os outros 70% nascem com o anticorpo e não desenvolvem a doença.
O acompanhamento da criança é feito até os dois anos de idade. Após este período, se ainda houver anticorpo do HIV no organismo, ela é confirmada como soropositiva. Apesar de não haver números disponíveis sobre a transmissão vertical na Paraíba, Ranulfo classifica a situação como “preocupante”. Segundo ele, quando há possibilidade de identificar, durante o pré-natal, que a gestante é portadora do vírus HIV, o risco de transmissão é reduzido em 98%.
Para tanto, ressaltou, é necessário que haja um atendimento especial à gestante na hora do parto. Deve-se evitar o contato do bebê com as secreções maternas. Se possível, o parto deve ser realizado sem o rompimento da bolsa. Desde o momento que a mãe começa a sentir contrações é aplicada uma dose intravenosa de AZT.
Ao nascer, o bebê recebe uma dose do xarope do medicamento. Além disso, a mãe recebe orientação para não amamentar e ganha leite em pó gratuito até os seis meses. O Hospital Universitário de João Pessoa é referência na prevenção à transmissão vertical. Na Paraíba, 15 maternidades fazem o teste rápido de HIV antes do parto.
JULIANA BRITO
Fonte: Jornal da Paraíba



