22ª edição do Enong inicia em Duque de Caxias com destaque para a ampliação da participação comunitária na resposta ao HIV/aids

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A 22ª edição do Encontro Nacional de ONGs, Redes e Movimentos de Luta contra a Aids (Enong) teve início na última segunda-feira (10), na Câmara de Vereadores de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Reunindo ativistas, delegados, convidados e observadores de todo o Brasil, o evento abriu com um forte apelo à ampliação da participação comunitária na resposta ao HIV/aids.

A cerimônia de abertura foi presidida pelo vereador Marcelo Catiti (Avante), que destacou a importância de sediar o evento na cidade e deu as boas-vindas aos participantes. Cleide Jane Figueiró, coordenadora do encontro e diretora da Associação Missão Resplandecer (AMIRES), agradeceu o empenho das redes e regiões que viabilizaram o evento, reforçando o compromisso de “dar as respostas que o Brasil precisa”.

Para Draurio Barreira, diretor do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, o momento marca uma mudança de paradigma: “Estamos deixando o controle de doenças para buscar a eliminação como problema de saúde pública”, destacou.

A mesa também contou com representantes de agências da ONU. Andrea Boccardi Vidarte, nova diretora do Unaids, enfatizou que “sem as demandas articuladas da sociedade civil, não alcançaremos as metas propostas”. Ela também abordou a necessidade de conectar temas como saúde, direitos humanos e determinantes sociais. Diego Calixto, representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT), reforçou o “potencial transformador” do Enong na formulação de políticas públicas mais inclusivas.

No total, 14 oradores participaram da abertura, incluindo representantes da gestão municipal e estadual, do Fórum de ONG/Aids do Rio de Janeiro e de outras entidades apoiadoras.

Homenagem a Lourdes Barreto

Um dos momentos marcantes do encontro foi a homenagem à ativista Lourdes Barreto, de 81 anos, fundadora do Grupo de Mulheres Prostitutas do Pará (Gempac). Lourdes, uma referência histórica na luta pelos direitos das mulheres e das profissionais do sexo, foi recentemente incluída na lista das 100 mulheres mais influentes do mundo em 2024, publicada pela BBC.

Lourdes é também cofundadora da Rede Brasileira de Prostitutas, um dos primeiros movimentos organizados de profissionais do sexo na América Latina, criado em 1987 ao lado da ativista Gabriela Leite. Sua trajetória de luta e resistência foi amplamente reconhecida pelos participantes do Enong, reafirmando a importância de sua contribuição para a causa.

O Enong segue com uma programação diversificada, que inclui debates, oficinas e grupos de trabalho, com o objetivo de fortalecer o engajamento comunitário e aprimorar as estratégias de enfrentamento ao HIV/aids no Brasil.

Liandro Lindner, especial para a Agência Aids

Dica de entrevista

@enongaidsoficial

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