1º de Dezembro: Lançamento do livro ‘O Valor da Vida – 10 Anos de Agência Aids’, bate-papo e dança marcam ações contra aids em Piracicaba

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23/11/2014 – 10h

Quase 200 pessoas – entre jovens, pais e avós – ocuparam o auditório do Sesc Piracicaba na manhã de sábado (22) para um bate-papo sobre a importância da prevenção ao HIV/aids na luta contra a doença e também para  o lançamento do livro “O Valor da Vida – 10 Anos de Agência Aids”. O evento antecipou as atividades relativas a 1º de Dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids.

Por quase duas horas a plateia se calou para ouvir os depoimentos da jovem Micaela Cyrino, uma das lideranças da Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV/Aids, da jornalista Roseli Tardelli, diretora da Agência Aids e do coordenador do Centro de Doenças Infecto Contagiosas de Piracicaba (Cedic), Moises Taglieta.

Micaela falou sobre como é viver com HIV. Ela nasceu com a doença, foi infectada no parto, perdeu seus pais aos 6 anos e viveu até os 18 em casas de apoio para crianças com HIV. Hoje, aos 26, é arte-educadora e estudante de artes plásticas. "Uso minha história para combater o preconceito que as pessoas vivendo com HIV/aids sofrem e alertar as pessoas sobre a importância da prevenção."

A jovem conta que cresceu sabendo que era soropositiva, convivia com outras crianças que também eram e desde sempre realiza algum tipo de trabalho ligado à prevenção ou esclarecimentos sobre o assunto. "Tem pessoas que ainda acreditam que por um abraço se transmite o HIV/aids, há até quem não queira compartilhar o mesmo talher. Eu não sou contra o preconceito, até porque é um pré conceito, mas, mesmo depois de tudo esclarecido ela insistir no preconceito, ai já é ignorância."

"Eu vivo com HIV eu levo uma vida normal, geralmente me cuido um pouco mais. Cuido da minha saúde, da alimentação, tomo remédios todos os dias, mas faço as mesmas coisas que outros jovens”, conta Micaela.

A jornalista Roseli Tardelli, destacou a abordagem do tema aids na mídia em mais 30 anos de epidemia. Ela citou alguns equívocos da imprensa, como rotular a doença de “câncer gay” nos anos 80 e também a utilização de conceitos errados como “grupos de risco”. “A informação é um ótimo aliado na luta contra o preconceito”, reforçou Tardelli.

Roseli lembrou ainda que o sexo desprotegido é o responsável pelo principal meio de transmissão do HIV. “É preciso usar camisinha até nas relações estáveis. Não está estampado na testa que a pessoa é portadora do HIV”, comentou.

O gestor Moises Taglieta orientou os jovens a retirar preservativos de graça em todos so serviços de saúde da cidade. "Não precisa de receita para pegar camisinha é só ir ao serviço e pegar quantas quiser."

Segundo Moises, a cidade de Piracicaba registra em média 3 novos casos de aids por mês e a maioria é de jovens. "A nova geração não conheceu o ínico da aids, quando muitos morriam em decorrência da doença. Os jovens precisam entender que hoje há tratamento, não é o fim do mundo receber o diagnóstico positivo, mas ainda o melhor remédio é a prevenção.

No bate-papo a galera quis saber qual é o melhor momento para fazer o exame e qual é a diferença entre HIV e aids. O pessoal da terceira idade questionou o uso do preservativo entre pessoas casadas. "Se você se expôs ao vírus faça o teste anti-HIV", orienta Moíses. "Ter aids é quando você desenvolve a doença", esclarece Roseli.

Já sobre o uso de camisinha numa relação estável, os especialistas alertaram para o crescimento da doença entre pessoas casadas. "O ideal é sempre usar o preservativo, essa é uma prova de amor com você e o outro", disse Roseli.

A cabeleireira Débora Oliveira, mãe de três adolescentes, classificou o debate como esclarecedor. "Volto para casa com o compromisso de falar sobre aids com os meus filhos. A camisinha evita doenças e gravidez é importante incentivar o uso."

A estudante Letícia Eduarda, de 16 anos, também se interessou pela conversa. "Na escola os professores não falam sobre prevenção, aproveito eventos como esse para abrir os olhos sobre diversos assunto."

Depois da roda de conversa a jornalista Roseli Tardelli autografou seu livro “O Valor da Vida – 10 Anos de Agência Aids”. O livro conta a história dos dez anos da Agência de Notícias da Aids que ela fundou inspirada na história de seu irmão Sérgio, falecido em decorrência da aids em 1994. Com prefácio da colunista de Política Dora Kramer e orelha do editorialista José Nêumanne Pinto, o livro relata a história dos irmãos Tardelli, que nos anos 1990 foram pioneiros no Brasil ao lutar publicamente pelo direito de os portadores de HIV serem atendidos por planos de saúde e convênios médicos.

Ainda durante o lançamento do livro a plateia pode acompanhar  apresentações de grupos de dança de rua de Piracicaba.

"Foi a concretização de um sonho, acredito de conseguimos plantar uma sementinha em cada um, todo mundo de diferentes faixa etária interessados no tema. Foi um momento de reflexão sobre o cuidado com si próprio", disse o técnico de programação do SESC Piracicaba.

A exposição Aids, As Melhores Notícias da Década, integrou a programação, no Ginásio de Eventos. Trata-se de uma seleção de dez notícias positivas publicadas pela Agência Aids. Diagramadas e ampliadas em banners, as notícias mostram também os diferentes layouts do site da agência ao longo dos anos.

Talita Martins

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