
Apesar dos avanços na resposta ao HIV, as comunidades LGBTQIA + continuam sendo deixadas para trás. Enquanto as novas infecções por HIV caíram 35% entre adultos em todo o mundo desde 2010, aumentaram 11% entre homens gays e 3% entre pessoas trans. O estigma, a discriminação e a criminalização, assim como as restrições à capacidade de organizações comunitárias se formarem e operarem, atuam como barreiras ao acesso a cuidados de saúde essenciais.
“Prestamos homenagem aos nossos colegas que fazem parte da comunidade LGBTQI+”, disse Winnie Byanyima, diretora executiva do Unaids. “Celebramos sua coragem, sua autenticidade e sua resiliência mesmo diante das adversidades enfrentadas pela comunidade. Devemos continuar apoiando e promovendo parcerias dos movimentos LGBTQIA+ com pessoas vivendo com HIV, mulheres e meninas e outras populações-chave. Na união, as comunidades podem encontrar a força para romper com as injustiças e impulsionar as mudanças necessárias para acabar com a aids.”
Organizações lideradas por homens gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH) têm sido cada vez mais ameaçadas por leis repressivas — novas ou reforçadas —, práticas policiais abusivas, violência e o encolhimento do espaço cívico. Pesquisas revelam que a prevalência do HIV entre esses homens é dez vezes maior em países onde existem barreiras legais para o funcionamento de grupos da sociedade civil.
Cortes recentes no financiamento da ajuda internacional também tiveram um impacto devastador nas organizações lideradas por comunidades, enfraquecendo sua capacidade de oferecer cuidados de saúde, ações de alcance baseadas na experiência dos pares e defesa de seus direitos.
“As ameaças à vida e à dignidade das pessoas LGBTI estão se intensificando em todo o mundo, e os cortes na ajuda externa e ao desenvolvimento, assim como os retrocessos nas políticas de diversidade, equidade e inclusão, só estão piorando a situação — especialmente para nossas comunidades”, afirmou Julia Ehrt, diretora executiva da ILGA World, uma federação internacional de organizações que defendem os direitos humanos das pessoas LGBTIQIA+, “Todos os dias, vemos projetos e organizações dedicadas à segurança, ao bem-estar e à dignidade sendo encerrados.”
O tema do IDAHOBIT 2025 — “O Poder das Comunidades” — celebra a força da ação coletiva, destacando que as comunidades têm sido a força motriz do progresso não apenas para as pessoas LGBTQIA+, mas para todas.
Na resposta ao HIV, as organizações comunitárias desempenham um papel fundamental, pois são confiáveis por seus pares, conseguem alcançar pessoas e grupos mais marginalizados e oferecem serviços baseados nas necessidades reais das pessoas.
Essas organizações também fornecem dados cruciais para melhorar políticas públicas e atuam politicamente em defesa do acesso a serviços e do fim do estigma e da discriminação.
O Unaids alerta que a crescente pressão e os ataques às comunidades, combinados com fortes cortes financeiros por parte de doações internacionais, podem ter consequências severas para a resposta ao HIV.
A perda de serviços liderados por pares levará a níveis mais altos de estigma e discriminação, criando ainda mais barreiras à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento — serviços que salvam vidas.
O ativismo e o trabalho das comunidades têm sido um impulsionador da resposta ao HIV por décadas.
O Unaids reafirma que o acesso à saúde é um direito de todas as pessoas. Uma resposta ao HIV liderada pelas comunidades é essencial para acabar com a AIDS como uma ameaça à saúde pública até 2030.



