
Terminou na tarde desse domingo (12), em São Paulo, o 10º Encontro do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP). Ao longo de quatro dias, aproximadamente 80 mulheres vivendo com HIV/aids debateram o poder do protagonismo feminino na luta contra a aids, rumo à cura do HIV. Além disso, as ativistas fizeram uma profunda reflexão sobre a atual política de aids no Brasil, que, na visão delas, vem sendo pautada pelo olhar biomédico, com foco apenas no tratamento.
Na plenária final, as cidadãs trouxeram para o cento da discussão temas como determinantes sociais, de saúde e econômicos que impactam na vida de quem vive com HIV/aids, além da evolução no tratamento com antirretrovirais, campanhas preventivas, dados epidemiológicos, entre outros. “A aids continua sendo um grave problema de saúde pública, por isso, é urgente e necessário a eliminação da transmissão vertical do HIV e de outras doenças, além de comprometimento político e investimento financeiro para que se multiplique as conquistas em pesquisas para uma virada no enfrentamento do HIV rumo à cura”, disse Fabiana Oliveira, do MNCP.
No encontro, o coletivo se comprometeu a cobrar do governo um olhar especial para a população em situação de vulnerabilidade social. “Levando em conta que a aids é uma doença socialmente determinada e a fome é uma realidade no país, o MNCP vai incidir junto as instâncias de governo para que mulheres cis e trans vivendo com HIV/aids sejam prioritárias em programa sociais, como o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família, ambos do governo Federal.”
O preservativo interno também entrou na discussão final. As mulheres criticaram duramente o governo pela compra do insumo a base de látex. Elas querem a camisinha disponível anteriormente, feita de borracha nitrílica, que é antialergênica. “O produto atual pode causar diversas reações alérgicas, além de ser mais espesso e menos confortável.”
Representações

A plenária votou e aprovou moções e elegeu a nova Secretaria do MNCP. Jenice Pizão continua à frente da secretaria política, Silvia Aloia na secretaria de mobilização de recursos, Fabiana Oliveira ficou na Comunicação e Credileuda de Azevedo, do Ceará, completa o time na secretaria executiva.
Além disso, ficou decidido o time de representantes regionais. As mulheres do Norte serão representadas pela ativista Maria Emília Ferreira, no Nordeste, Jaciara Pereira, Deniz Catarina é a representante das Cidadãs no Centro-Oeste, Marcilaine Pinto ficou com a região Sudeste e Gina Hermann, com o Sul.
A nível nacional, o grupo elegeu as ativistas Silvia Aloia e Maria Orleanda Alves para representar o MNCP na CAMS (Comissão de Articulação com Movimentos Sociais em HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis). Ivaneide Costa foi escolhida para o Grupo de Trabalho no Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (GT-Unaids) e Gina Hermann e Maria Georgina Machado, titular e suplente, respectivamente, participarão da Cnaids (Comissão Nacional de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais). De Presidente Prudente, a ativista Renata Souza continuará representando as Cidadãs no Conselho Nacional de Saúde. Nair Brito e Edna Demétrio vão representar as Cidadãs no Grupo ee Trabalho sobre a Agenda 2030.
A nível internacional, Silvia Aloia será a representante do Brasil no Movimento de Mulheres Positivas da América Latina e do Caribe.
O próximo encontro deve acontecer em 2025, mas o local ainda não foi definido.
Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)
Dica de entrevista
MNCP
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