Mulheres representantes de diferentes movimentos sociais defendem na Conferência Nacional de Saúde um SUS mais diverso e inclusivo

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Mesa composta com as três palestrantes e as duas coordenadoras. Em destaque, bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

No primeiro dia da 17ª Conferência Nacional de Saúde, nesse domingo (2), em Brasília, a mesa do eixo 2 “O papel do controle social e dos movimentos sociais para salvar vidas”, tratou de temas como participação social, diversidade e inclusão.

Potente e formada só por mulheres, a mesa, coordenada por Vanja Reis dos Santos e Fernanda Magano, contou com as participações de Alexsandra Rodrigues (Leka), assistente social e educadora popular, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra; Célia Neves, educadora popular e ativista pela organização e visibilidade dos povos e comunidades tradicionais; e Luiza Batista Pereira, representante da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas.

A fala de Alexsandra Rodrigues foi sobre diversidade e a população do campo, da floresta e das águas. Relembrando condições adversas durante a pandemia da Covid-19, a palestrante falou sobre as pessoas que se mobilizaram, e se mobilizam, em prol do coletivo. “É um desafio muito grande, fomos negligenciados no último desgoverno, temos que enfrentar como movimento, pois saúde é a capacidade de lutar contra tudo o que nos oprime”.

A educadora popular Célia Neves pontuou a luta e a organização dos povos e comunidades tradicionais. De acordo com a palestrante, é necessária “transparência efetiva do poder público, para que possam ser desenvolvidas políticas públicas que possam atender às demandas populares, denunciando todo tipo de opressão”.

O destaque da fala de Luiza Batista Pereira foi a inclusão. “Por um SUS que não deixa ninguém de fora, que não discrimina ninguém. O SUS que nós queremos, que estamos discutindo aqui, tem que incluir todos nós cidadãos brasileiros”, concluiu.

A Conferência

Com o tema “Garantir Direitos e Defender o SUS, a Vida e a Democracia – Amanhã vai ser outro dia”, a conferência é organizada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), promovida pelo Ministério da Saúde, e conta com quatro eixos de debate.

As etapas preparatórias da 17ª edição contaram com mais de 2 milhões de participantes em todo Brasil – o dobro da última edição. Pela primeira vez na história, as propostas discutidas em 99 Conferências Livres, com a participação de mais de 42 mil pessoas em todo país, serão levadas para a etapa nacional. As conferências livres são organizadas por qualquer segmento da sociedade civil e promovidas em âmbito municipal, intermunicipal, regional, macrorregional, estadual, distrital e nacional. A CNS terá ainda 110 participantes internacionais.

Com o eixo temático “O Brasil que temos. O Brasil que queremos”, as plenárias e rodas de debates ocorrem até a próxima quarta-feira (5) no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB).

Ao todo, 4.048 pessoas foram eleitas delegadas para deliberar sobre 31 diretrizes e 329 propostas elaboradas em conferências municipais, estaduais e conferências livres. O resultado da etapa nacional será contemplado no próximo ciclo de planejamento da União, servindo de subsídio para a elaboração do Plano Nacional de Saúde e Plano Plurianual de 2024-2027.

“Essa conferência vem sendo construída desde quando terminou a última, em 2019, um período de resistência. A temática dialoga com o futuro que a gente quer construir para o nosso Sistema Único de Saúde (SUS) e para o povo brasileiro”, destaca o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto.

Além de debates, plenárias e um ato em defesa do SUS, a etapa nacional da 17ª CNS também traz para os participantes uma rica programação de arte, educação e cultura popular ao longo dos quatro dias de encontro. As atrações se apresentarão em tenda na área externa do local da Conferência, durante todos os dias do evento. Os mais de 6 mil participantes que chegam a Brasília para a etapa nacional poderão curtir performances e shows variados, que abordam temáticas como plantas medicinais, brincantes, rap e hip hop, ancestralidade indígena, dentre outros.

Assista na íntegra os debates dos eixos 1 e 2 da Conferência:

Maria Thereza Reis, especial para a Agência Aids

Apoios