Mais Arte, Menos Aids: prevenção, testagem e conscientização em um Domingo de arte na Avenida Paulista

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Passeio de domingo também é bom para cuidar da prevenção

Domingo de sol, dia lindo, um passeio na av. Paulista e na calçada, uma Unidade Móvel da Coordenadoria de IST/Aids da Cidade de São Paulo para testagem rápida de HIV, sífilis, além de hepatite B e C.

Que tal aproveitar o passeio para cuidar da saúde? Foi o que Talita Ferreira, analista administrativa fez. Depois de um café com as amigas, ao passear pela avenida e ver a movimentação em frente à unidade do Sesc Paulista, ela e uma das amigas decidiram fazer o teste. “Geralmente eu faço exames anuais em relação ao HIV, junto com meus exames de rotina”. Pela dica da Talita, os cuidados com a prevenção são muito importantes. “A prescrição do teste de HIV é sempre feita pela minha médica, mesmo eu tendo parceiro fixo”. Como conselho em relação ao autocuidado, Talita recomenda o uso da camisinha, como meio de prevenção, e em caso de exposição, o uso da PrEP e PEP, medicamentos disponíveis na rede pública indicados para prevenir ou impedir a infecção pelo HIV, após uma exposição de  risco.

A iniciativa integrou a intervenção “Mais Arte, Menos Aids 2024”, promovida pelo Sesc São Paulo, a Agência de Notícias da Aids e a Coordenadoria de IST/Aids da Cidade de São Paulo. O evento, em alusão ao Dezembro Vermelho – mês de luta contra aids, reuniu artistas, ativistas e parceiros da causa, com o objetivo de conscientizar a população sobre a prevenção do HIV e prestar homenagem às pessoas que vivem com o vírus, bem como àquelas que perderam suas vidas em decorrência da doença.

Willian Mordochi, filmmaker, de 34 anos, também passeava pela Paulista quando viu que poderia fazer o teste rápido de HIV e não hesitou. “Fazia algum tempo que eu estava querendo fazer o teste e quando eu vi a van, resolvi aproveitar a oportunidade. O teste é importante porque é um cuidado com a nossa saúde e por empatia ao próximo”, explicou. Ele não sabia que o dia 01/12 é uma data que foi estabelecida pela Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) em 1988, com o objetivo de unir os países signatários em torno dos desafios que emergiram com a propagação da aids e a infecção pelo HIV mundo afora. O que Willian sabe é da importância de manter a testagem atualizada, porque nem sempre é possível saber em que circunstâncias a pessoa pode ter se contaminado. “Eu, por exemplo, fiz uma tatuagem fora do país e só depois pensei nos riscos que um procedimento desses pode apresentar. Daí fiquei com essa preocupação na cabeça”.

Outros dois rapazes, Luciano, de 49 anos, e o amigo Daniel Germano, 24, também estavam a passeio e decidiram aproveitar a oportunidade e fazer o teste rápido. “Acho importante que as pessoas façam exames de rotina para cuidar da saúde, inclusive em relação ao HIV”. O amigo Daniel destacou a conveniência do teste e a liberdade de realizá-lo assim, no meio de um passeio de domingo. E diz: “O teste deveria ser fundamental para todas as idades, mesmo jovens de 16, 17 anos, e incentivado pelos pais. Se há os recursos, que eles sejam aproveitados da melhor forma.”

Ação na rua

Maria Cristina Abbate, da Coordenação de IST/Aids do município de São Paulo, acompanhou o trabalho da equipe de testagem pessoalmente, e analisou a resposta do público em relação a mais esta ação. “Eu gosto muito de trabalhar na rua. Primeiro você transforma uma ação de saúde em algo natural. No caso do HIV, ainda temos muito estigma. Por exemplo, pessoas casadas, às vezes, não vão a um posto de saúde fazer o teste para não gerar desconfiança do parceiro, mas quando encontra uma unidade de testagem móvel na rua, já fica mais fácil”. A coordenadora destaca, entretanto, que todo o cuidado com a privacidade e segurança das pessoas é garantido, também no teste de rua. “As pessoas que passaram pelo teste aguardam o resultado tranquilamente, não se sentem constrangidas e quem está de fora, não tem a dimensão do que ocorre, mesmo diante de um resultado positivo. Essa segurança da individualidade em cada teste é garantida pela equipe”, destaca.

Quase 100 testes

Da parte da equipe que cuida da testagem e da privacidade de quem se submeteu ao teste, Carolina de Matos, coordenadora da área de diagnóstico de IST do município de São Paulo deu uma panorâmica do que significa esse trabalho de rua. “Nós abrimos a testagem às 11 horas da manhã e encerramos às 15 horas. Nesse período, realizamos aproximadamente 100 testes sendo que nenhum deles deu positivo para HIV”.

A ação de levar uma unidade móvel para a rua, de levar o teste de IST onde o povo está, faz parte de ações denominadas “extramuros” do departamento. Rotineiramente elas são realizadas em áreas de concentração de população chave. “Nós temos essas unidades itinerantes que vão a festas com grande concentração de jovens, por exemplo, e também a locais de prostituição. Esses locais são mapeados para que possamos chegar mais perto da população de risco”, explica.

No caso desta ação pontual na Av. Paulista, a maioria das pessoas que procurou a testagem era formada por mulheres cisgênero. Um aspecto interessante, que convergiu entre as pessoas, homens ou mulheres que se submeteram ao teste neste domingo, é que o teste de HIV deve hoje em dia, compor a rotina de cuidados com a saúde. “Da mesma forma como fazemos exames para diabetes, pressão alta ou coração, o teste de HIV também deve compor a lista de um bom check up”, complementa Mordochi, sintetizando o parecer dos demais entrevistados.

Outras atividades

Além da testagem, o público que passou pelo evento pôde conferir as exposições “I Festival Internacional de Humor em DST e Aids” e “Indetectável=Intransmissível (I=I)”.

A primeira, com curadoria do Ministério da Saúde e do Departamento de Aids, exibiu 18 cartoons selecionados entre mais de 1.300 trabalhos enviados por artistas de 54 países. As obras abordaram temas como prevenção, tratamento e direitos humanos, destacando a força da arte na conscientização e no engajamento social.

Já a segunda exposição apresentou seis banners com fotos e depoimentos de pessoas vivendo com HIV que mantêm carga viral indetectável há mais de seis meses, resultado da adesão ao tratamento. A iniciativa reforçou o conceito de que indetectável é igual a intransmissível, promovendo empatia, combatendo o estigma e disseminando informação.

Outra ação marcante do Mais Arte, Menos Aids foi o desfile “Camisinha: Opção de Prevenção”. Modelos desfilaram pela avenida vestindo roupas confeccionadas com preservativos, criadas pela artista plástica Adriana Bertini. As peças, além de provocativas e criativas, buscaram sensibilizar o público sobre a importância do preservativo como método eficaz de prevenção, disponibilizado gratuitamente pelo SUS.

O desfile é parte do projeto Vista-se, idealizado por Adriana em 1996. A iniciativa começou como um desafio artístico: transformar 144 preservativos fora do prazo de validade em peças únicas enquanto ela era voluntária no Grupo de Apoio à Prevenção da Aids. Desde então, Adriana transformou camisinhas em arte, exibindo suas obras em museus da Ásia, África, Europa e América, e estabelecendo parcerias com nomes como Richard Gere e Elton John.

O Mais Arte, Menos Aids contou com o apoio das farmacêuticas Janssen, Gilead e GSK/ViiV.

Sandra de Angelis, especial para Agência Aids

Dica de entrevista

Agência Aids

Tel.: (11) 3287-6933

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