
No próximo domingo (2), parceiros da luta contra a aids se reunirão para celebrar a diversidade, a igualdade, e a luta contra a discriminação em mais uma edição do Camarote Solidário da Agência Aids, que acontecerá no Parque Mario Covas, em meio à maior Parada LGBT+ do mundo, que enche a Avenida Paulista de muito amor e orgulho.
O Camarote acontece há 21 anos e arrecada toneladas de alimentos para ajudar pessoas vivendo com HIV/aids em situação de insegurança alimentar.
Este ano, a versão presencial do Camarote contará com a participação da DJ Cais Niara, que trará toda sua energia e talento para animar o público.
Com um repertório que vai do funk a MPB, do samba ao pop, passando por R&B e outros tantos gêneros musicais, Cais construiu ao longo de sua carreira um fazer artístico que preza pela diversidade da musicalidade. À Agência Aids, ela compartilhou mais sobre sua trajetória, como recebeu o convite para participar do Camarote pela primeira vez e as suas expectativas.
Sua carreira
A trajetória da DJ começou há pouco menos de quatro anos, durante a pandemia de covid-19. Inicialmente, ela conta que começou tocando em alguns eventos em São Paulo, mas logo novas portas se abriram e passou a levar seu som também para outros estados brasileiros.

Cais encontrou e encontra na comunidade Ballroom um lugar de inspiração, acolhimento, aprendizado e bastante crescimento, pessoal e profissional. “A comunidade Ballroom é um movimento cultural muito forte que tem crescido muito no Brasil e envolve muita musicalidade.”
Este movimento cultural e artístico que nasceu a partir da comunidade LGBT dos EUA, mais especificamente em Nova York, foi liderado pela comunidade negra e latina. Originada na década de 1960, as balls – bailes onde acontecem as danças e performances -, têm como propósito oferecer um ambiente seguro para pessoas LGBTs, especialmente para aquelas que são rejeitadas em outros espaços de convívio social.
Além de ser um local de festa e competições de dança, é um lugar de afirmação e empoderamento. Lá, essas vozes historicamente marginalizadas pela sociedade podem mostrar sua verdadeira identidade e talento. A cultura Ballroom se destaca, por exemplo, pela dança expressiva e moda extravagante, como formas de afirmação e luta.
Processo criativo
A DJ falou mais sobre suas influências musicais e a construção de seu processo criativo. “Eu faço pesquisa musical sempre. No ônibus, em casa, correndo na rua com o fone de ouvido… estarei sempre pesquisando música!”, compartilhou.
Em seu trabalho, ela que valoriza as diversas influências para moldar seu som, destaca a presença e potência do funk paulista e da cena do Rio, mas considera o House Music o fio condutor que une todas as suas influências musicais.
Para o Camarote, promete um set cheio de energia e diversidade – que é a sua marca -, com músicas que remetem aos movimentos sociais históricos em favor dos direitos LGBT.
Sua relação com a música
Apesar de sua paixão pelos estilos badalados, quando sozinha, Cais aprecia nos momentos de introspecção e intimidade com a música, algo mais melódico. “O que eu gosto de ouvir em casa casa, aquela coisa mais íntima minha, são músicas mais antigas, eu gosto de pagode antigo, R&B, músicas românticas, eu gosto muito de MPB, uma coisa meio tropicália, gosto muito de Gal Costa… música brasileira!”.
Ela que não se limita, explora e absorve muito, inclusive, da energia do Jersey Club, do Afro House (mistura do Afrobeat com o House tradicional), além de ser influenciada pelos aspectos do Vogue (Voguing) como um todo.

“Não é a primeira vez que vou [para a Parada]. Devo ter ido a umas três para curtir, celebrar a nossa existência, nossa resistência, mas é a primeira vez que vou a trabalho. Esse convite rolou a partir de um amigo produtor, que fez essa ponte e indicou o meu nome. O pessoal do Camarote [da Agência Aids] veio até mim e a gente negociou, conversou… Estou muito feliz por poder tocar neste evento que é tão importante!”.
Segundo a artista, é de extrema importância se misturar com o Camarote na essência da Parada, que foi construída ao longo dos anos como um espaço de resistência e celebração, a partir de lutas e conquistas, reivindicando políticas públicas para pessoas LGBTQIAPN+.

“A Parada é sobre celebração, é sobre a gente entender que podemos ser felizes, que a gente deve ter esse momento de comemoração das nossas conquistas… mas não podemos esquecer das pessoas vivendo com HIV/aids e aquelas em insegurança alimentar. Então, é importante que o camarote traga esse movimento [e valorize esses valores em volta dessa causa], porque sabemos do histórico do movimento LGBT+, o quanto isso está ligado às pessoas com HIV e aids, como as duas coisas historicamente estão ligadas. [Além disso], as pessoas ainda têm muitas noções erradas sobre esse assunto. Há preconceito e as pessoas não têm noção da possibilidade de vida, de uma vida segura, de uma vida saudável… Acredito que tudo isso tem a ver com o propósito da Parada. O Camarote é a melhor forma que a gente encontra de reverter [essa realidade], é uma oportunidade de trazer toda essa felicidade, e de entender também que estamos conquistando novos lugares enquanto grupo social.”
Beyoncé e Madonna
Cais celebra que artistas como Beyoncé e Madonna abordem a questão da aids por esta outra ótica. Segundo ela, as divas pops que têm imensa visibilidade e alcance, ajudam a mudar a percepção do HIV e romper paradigmas, sendo percussoras de muitos avanços, mas acredita que falta muito a ser feito.
“Renaissance”, sétimo álbum de estúdio da carreira de Beyoncé, foi lançado em julho de 2022 e homenageia justamente o house music dos anos 70 e 80 de onde Cais bebe muito de suas referências. A artista americana falou abertamente que o álbum, que incluiu faixas de sucesso mundial como “Break My Soul”, “Cuff It”, “Alien Superstar”, foi dedicado a seu tio Jonny, que morreu em decorrência da aids no início da epidemia. Tio Jonny era um apaixonado dançarino de disco e o responsável por lhe apresentar o mundo da música.
Não é de hoje que Madonna é conhecida por se aliar diretamente à luta contra a aids. Ao longo dos anos, a diva pop apoiou pesquisas, além de lutar abertamente contra o preconceito, em um contexto que o HIV/aids era algo cercado de ainda mais estigma e visto como uma sentença de morte.
Recentemente (4 de maio), Madonna esteve no Brasil e se apresentou em um show gratuito que levou quase 2 milhões de pessoas às ruas. Ela escolheu Copacabana, no Rio, para ser palco do histórico momento de encerramento da “Celebration Tour”.
Expectativas
No que diz respeito à sua apresentação no próximo domingo, DJ Cais Niara garante que a galera pode esperar principalmente pela mistura do House dos anos 80 e 70. “Acho que tem tudo a ver com o começo desses movimentos sociais em favor do público LGBT+. Pretendo trazer um pouco dessas referências, nacionais e internacionais dos anos 80, que dialogam com [a mensagem] que a gente quer amplificar.”
“Quero que as pessoas tenham um bom momento, dancem, que possam ser e sentir a felicidade que é estar viva, que é poder estar ali.”
O Camarote

O Camarote Solidário existe desde 2002, teve um intervalo de três anos, em 2013 e 2014, quando deu lugar ao Trio Solidário, e em 2020 ano que não aconteceu por conta da pandemia de covid-19. Até 2023, mais de 25 ONGs foram contempladas com as doações. Em sua última edição, o Camarote Solidário arrecadou 5 toneladas de alimentos e 11 instituições foram contempladas.
O Camarote Solidário 2024 tem o apoio do Senac e SESC de São Paulo, das farmacêuticas GSK ViiV Healthcare, Gilead, Abbott, MSD e Janssen, da Coordenadoria Municipal de IST/Aids de São Paulo, da Unesco e da Galeria 2001.
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Serviço
Camarote Solidário da Agência Aids
Quando: 02 de junho
Entre 12 e 18 horas
Evento fechado para convidados
Transmissão ao vivo pelo Youtube, Facebook e TV Agência Aids
Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)
Dica de entrevista
Instagram @caisniara
E-mail: contato.djcaisniara@gmail.com


