XV CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE AIDS E OS CAMINHOS A SEREM TRILHADOS – José Araujo Lima Filho – Presidente da Casa de Apoio AFXB do Brasil

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José Araújo

Acontece entre os dias 11 e 16 de julho a XV Conferência Internacional de Aids em Bangkok na Tailândia. Este encontro bienal é repleto de expectativas no que se refere às novas pesquisas sobre a melhoria na qualidade dos medicamentos, haja visto que não existe grande esperança na criação imediata de novas drogas que possibilitem um grande passo na luta contra Aids.

Nesses 21 anos de epidemia, nenhuma doença teve tantos avanços científicos como a Aids. No entanto, esses avanços não refletem os mesmos resultados no campo político, o que prova que nem sempre os resultados da ciência estão a serviço da humanidade.



Há poucas semanas, um encontro de portadores do HIV na Tailândia foi dificultado pela segregação praticada por um hotel, quando obrigou os soropositivos a ficarem confinados em um andar, sem o convívio com os demais hóspedes. Grande parte dos ativistas com presença confirmada na Conferência receberam uma carta na tentativa de firmar um compromisso de não se manifestarem durante a mesma, exigência esta recusada bravamente pelos mesmos.

Na esfera mundial, onde aproximadamente 38 milhões de pessoas encontram-se infectadas e, na grande maioria, sem acesso aos antiretrovirais, a Conferência deveria ser direcionada politicamente com o intuito de pressionar os laboratórios e os governos para garantir que tal crime de omissão não continue sendo praticado.

No próprio Brasil, onde existem cerca de 140 mil pessoas com Aids e vivemos a dicotomia do conhecido programa brasileiro, ainda há muito no que se aprimorar. Se o governo federal tem assumido as responsabilidades das drogas anti-aids, o mesmo não tem acontecido com os governantes nas esferas municipais e estaduais. Eles têm demonstrado descaso com a epidemia e sonegado o acesso aos medicamentos profiláticos, exames, leitos hospitalares e trabalhos de prevenção adequados. Tais negligências impedem que o país possa ter um programa de luta contra Aids modelo.

A Conferência poderá ser um marco, se as discussões caminharem de encontros com as verdadeiras necessidades dos países e das populações vulneráveis. Mesmo com as drogas existentes, hoje o mundo vive o lado triste da orfandade de crianças e adolescentes em conseqüência da Aids, provocando uma nova onda de vítimas das irresponsabilidades.

Associação François Xavier Bagnoud

Se a história da luta contra Aids caminhar pela esfera das irresponsabilidades, a previsão é de que no ano de 2010 tenhamos cerca 100 milhões de crianças órfãos. A Associação François Xavier Bagnoud, que trabalha com esse público em 17 países, inclusive o Brasil, sob a presidência mundial da senhora Albina du Boisrouvery, apresentará em 18 de julho, durante a Conferência, uma exposição visando mostrar os resultados obtidos nos países onde ações diretas permitem uma vida com qualidade dessas crianças, adolescentes e seu familiares, mesmo em países considerados pobres na África e Ásia.

Na ocasião, serão apresentados trabalhos com os temas: tratamentos; prevenção, assistência e suas ações em campo; a Importância da responsabilidade global das empresas; monitoramento e evolução; compreensão e qualidade efetiva na intervenção; planejamento e ações para a comunidade Internacional.



Se a XV Conferência Mundial foi planejada com uma única visão: a cientifica, a sociedade cível poderá mudar este curso, impondo também uma agenda onde o acesso integral e universal ao tratamento deixe de ser apenas retórico e passe a ser um compromisso de todos.

José Araújo Lima Filho é Presidente da Casa de Apoio AFXB do Brasil e já participou de vários encontros interncionais sobre HIV/Aids. Telefone: (0XX11)5842-5403. E-mail: araujo.l@uol.com.br

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