Há 22 anos o Grupo Pela VIDDA (Valorização, Integração e Dignidade do Doente de Aids de São Paulo tem dedicado sua trajetória à luta contra a aids, um incansável desafio que, espera-se, um dia se torne dispensável e possa cessar.
Até lá, no entanto, se faz necessário apelar a todos os recursos disponíveis para refletir, esclarecer e alertar sobre a doença que vitima três milhões de pessoas por ano, em quase três décadas de existência. Um desses instrumentos utilizados pela ONG é o CINEMA MOSTRA AIDS, iniciativa que chega a sua sétima edição, trazendo produções que procuram chamar novamente à ordem do dia o impacto da doença na sociedade e na vida das pessoas, um mal de dimensão global que pode e deve ser visto também na sua escala individual, ou seja, sem esquecer que por trás das tristes estatísticas escondem-se dramas humanos.
Esta sétima edição do CINEMA MOSTRA AIDS vem justamente sublinhar a individualidade perante o universal com títulos de documentário e ficção, em curta, média e longa-metragem, que contribuem para a discussão, reflexão e alerta de um perigo sempre a espreita. Em boa parte das produções selecionadas, a epidemia não é vista apenas como uma massa uniforme em forma de números, mas situações particulares que contrastam problemas, atitudes e desejos diversos.
O projeto surgiu da percepção da ausência de eventos e iniciativas capazes de deslocar o tema aids do meio médico-científico e dos serviços de saúde, capazes de incentivar a participação das pessoas que vivem com HIV e aids, usuários de serviços de saúde, ONGs, profissionais ligados ao tema, bem como despertar a atenção da população em geral e dos meios de comunicação.
É um evento de apelo cultural que fala sobre aids e traça um painel sobre a epidemia a partir da linguagem do cinema. Ao longo de mais de 20 anos não foram poucos os autores e profissionais que transformaram a aids em matéria para filmes. Nunca é demais lembrar o caminho titubeante da doença pelas telas de Hollywood.
A indústria por excelência do cinema mundial começou tropeçando, reticente, na acolhida dos primeiros soropositivos e apenas em 1993 avançou sobre os personagens com Filadélfia, oito anos depois da morte de Rock Hudson, estrela emblemática da tragédia que se abateria sobre outros nomes famosos, que tem sua história contada nesta Mostra com o filme Rock Hudson – Belo e Enigmático. Mito viril forjado na máquina de fantasia de Hollywood, Hudson protagonizou o mais ingrato papel de sua carreira na fase final de vida, quando a infecção pelo HIV, e por consequência a homossexualidade até então tida como condição inseparável, tomou o lugar das fofocas prosaicas nas manchetes dos jornais. O ator morreu em 1985 em decorrência da aids para surpresa geral dos fãs, e não só deles. Seria a primeira vez, como lembra um entrevistado, que milhões de pessoas souberam da existência da doença.
É esse conjunto de conflitos e atitudes de esperança que o Grupo Pela VIDDA/SP vem dividir agora com os espectadores.
Sílvia Carvalho é coordenadora do Cinema Mostra Aids
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