É com satisfação que nos preparamos para, em poucos meses, assumir a diretoria da Sociedade Brasileira de Infectologia. Fundada em 1980, a SBI vem desempenhando papel fundamental na discussão dos principais problemas de saúde pública do país.
Por meio de nossas sociedades federadas, distribuídas em unidades da Federação de norte a sul, aprofundaremos ainda mais a interação com o médico infectologista e com a população. Investiremos em parcerias com entidades governamentais e privadas, estabelecendo ações de interesse coletivo, que valorizem os especialistas e beneficiem todos os cidadãos.
No âmbito das questões relativas à infecção pelo HIV/Aids, nos posicionamos defendendo que o atual grau de conhecimento e das novas tecnologias e estratégias de intervenção no enfrentamento da epidemia nos permitem aspirar a possibilidade de “uma geração livre de aids”.
Durante o XVIII Congresso Brasileiro de Infectologia (Infecto2013), realizado em Fortaleza, de 31 de agosto a 4 de setembro, tivemos várias conferências, mesas-redondas e cursos sobre o tema. Destaco a Conferência sobre a Cura do HIV, ministrada por Steven Deeks (Califórnia – EUA) e sobre a vacina contra o HIV, ministrada por David Watkins (Flórida – EUA). Especialmente, chamou atenção a mesa-redonda “Os Desafios Para o Enfrentamento da Pandemia de HIV/Aids” , em que Alexandre Granjeiro (USP – São Paulo), Marco Vitória (OMS – Suíça) e Fábio Mesquita (diretor do Programa de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde) promoveram excelente debate sobre o cenário epidemiológico nacional atual, os desafios do enfrentamento nacional e mundial da pandemia, com participação ativa da plateia.
Acreditamos que a terapia antirretroviral mais precocemente instituída, especialmente se baseada em medicamentos coformulados, permite melhor adesão e garante expectativa de vida de pessoas com HIV semelhante à do soronegativo. Ademais, se transforma em importante estratégia de prevenção (tratamento como prevenção), combinada com outras mais antigas e efetivas, notadamente o uso de preservativo.
Não podemos esquecer de comentar a necessidade de enfrentar as diversas lacunas e insuficiências na política pública nacional, que permanecem, como testagem e abordagem de populações mais vulneráveis, apenas como um exemplo de tantos problemas na enorme complexidade de distorções do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, precisamos aprofundar o debate sobre a perspectiva de transferir, paulatinamente, parte significativa da demanda de assistência das PVHA para a Assistência Básica do SUS.
Diante desse panorama de desafios, mas com excelentes perspectivas, convido a todos (profissionais de saúde, sociedade civil organizada, academia e governo), num coeso coletivo, a participar do resgate da identidade e da ousadia que desde o início caracterizaram a reconhecida experiência brasileira no combate a aids.
Érico Arruda é presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (2014-2015)
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