UM POUCO DE MINHA HISTÓRIA – Zineide Honorato Barreto é Integrante do Instituto Diet

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Zineide Honorato Barreto

Meu nome é Zineide, tenho 32 anos, e há dois vivo com HIV. No começo, foi barra pesada.Cheguei a ficar com 29 Kg por causa da depressão.Não aceitava o fato de ter sido infectada pelo vírus.Morei com uma pessoa durante cinco anos e ele era tudo para mim, até que um dia ele saiu de casa, passou a noite fora com um amigo. Eu não aceitei, o respeitava. Acabamos por nos separar. Uma semana depois, soube que ele estava doente. Ao saber que ele havia piorado, fui vê-lo, mas a mãe dele me falou para eu ir à casa dela. Quando cheguei lá, ele já tinha sido internado, quase morri, pois saí nas ruas chorando sem parar, todos que me viam na rua pensavam que eu era louca. Foi quando fui morar na casa da minha irmã e começou meu drama. Não podia falar que estava infectada. Então, agüentei tudo sozinha. Só tomava água, não comia, era só água , tinha muita sede e bastante febre alta.

Meu cunhado não me aceitava na casa dele. Eu estava sem trabalho, não tinha condições, ele não deixava nem meus sobrinhos beber na mesma garrafinha de água que eu. Até que comecei a me recuperar e fui trabalhar em um restaurante.Pesava menos de 38 Kg quando arrumei esse bico para fazer.Vinha para casa só no final de semana. Fiquei pouco. Não tomava medicamento. Tive uma recaída forte. Meus cabelos começaram a cair. Voltei a emagrecer de novo. Foi quando briguei com meu cunhado. Não agüentava mais. Saí de casa e foi quando fui trabalhar de faxineira numa pensão. Bom, lá eu me alimentava, almoçava e jantava na hora certa, e mesmo assim nada de me tratar.

Um dia, passei mal e fui parar no hospital, mas não contei nada a ninguém. O médico que me atendeu me passou vitaminas, até que melhorei bastante, comecei a ganhar peso, meus cabelos já tinham crescido, até que comecei a trabalhar no caixa. Daí, tudo de ruim começou na minha vida. Eu trabalhava a noite inteira, via aquelas mulheres entrando e saindo toda hora. Era um lugar de muita prostituição.Passei a conhecer todo mundo, pegar amizade com elas e então eu via os caras entrarem de madrugada para fumar pedra de crack.Os traficantes viviam lá. Comecei a buscar droga para aqueles caras. Às vezes ficava a noite inteira fazendo “corre” para esses caras em troca de dinheiro, até que um dia bebi todas e experimentei a droga e não quis mais parar.

Cheguei a me prostituir várias vezes para comprar droga.Meu salário não dava para sustentar meu vício. Até que cheguei a ponto de pesar 29 quilos, já estava a beira da morte, quando decidi voltar para casa.Não queria aquela vida mais pra mim. Voltei para casa, meu cunhado não aceitava eu ter voltado pior do que saí.

Sofri muito, chorava todo dia, até que busquei um abrigo na Igreja e conheci Jesus e aceitei me tratar. Procurei um posto de saúde e conversei com a assistente social e ela procurou a Secretaria de Saúde. A psicóloga veio me buscar , me orientou e me levou para o Hospital Padre Bento. Lá comecei a fazer meu tratamento. Quando foi para levar para casa, eu retirava os rótulos, já sabia qual tomar. Assim, meu cunhado não desconfiava de nada, graças a Deus eu comecei a me recuperar cada dia.Tinha motivos para viver: meu filho e minha mãe. Nós três mudamos para um cômodo e fomos cuidar da nossa vida.

Com o passar do tempo conheci o Instituto Diet e comecei a freqüentar as reuniões.Lá virou minha segunda casa. Logo me convidaram para fazer parte da RNP Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids. Foi freqüentando as reuniões que conheci meu marido. Ele também é soropositivo. Hoje estamos casados há 7 meses gosto muito dele. Sou feliz, pois cuido da minha família e procuro ajudar pessoas iguais a mim que vieram do fundo do poço.Hoje tenho um grande motivo para lutar pela vida: o amor dos que estão ao meu redor! Esta é essa minha história.

Um beijo a todos,

Zineide Honorato Barreto

Instituto Diet: (0XX11) 6422-6363

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