Toni Reis
O lema “Acesso para Todos” foi de fato o maior ponto de preocupação, tanto das ONG quanto das autoridades presentes à XV Conferência Internacional de Aids, realizada em Bangcoc, Tailândia, de 11 a 16 de julho de 2004. Espera-se que se possa concretizar a estratégia “3 by 5”, da OMS e UNAIDS, de que até o ano 2005, 3 milhões de pessoas vivendo com Aids em países em desenvolvimento estejam tendo acesso ao tratamento, rumo à universalização do acesso.
No seu discurso na abertura da conferência, com a presença de cerca de 20.000 pessoas, o Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, falou de três prioridades: a ampliação de infra-estrutura para tratamento e assistência; a atribuição de poder às mulheres e às adolescentes e jovens para se protegerem contra o vírus; e lideranças mais fortes em todos os níveis e esferas, seja do governo, da sociedade civil, das empresas, ou dos próprios indivíduos, relembrando também que “liderança significa respeitar e defender os direitos humanos de todos aqueles que são vulneráveis ao HIV/AIDS – sejam eles profissionais do sexo, usuários de drogas ou homens que fazem sexo com homens. E isto inclui seu direito a tratamento, caso sejam infectados”.
A Conferência também testemunhou protestos, principalmente dos tailandeses contra a política de criminalização e pena de morte para usuários de drogas naquele país; protestos de diversos participantes contra as indústrias farmacêuticas; e o fato de que a fala da pessoa vivendo com HIV/AIDS e representando as ONG na mesa de abertura foi deixada para depois do final, quando todo mundo tinha saído, para que suas críticas não fossem ouvidas.
Os representantes do movimento de Aids do Brasil entregaram 5.000 manifestos, cujo texto foi elaborado aqui no Brasil pela Articulação Nacional de Luta Contra a Aids em português e em inglês, destacando “o drama da Aids no Terceiro Mundo: Chega de discurso. É hora de agir!”, cobrando ação universal frente às 32 milhões de pessoas que vivem com Aids nos países em desenvolvimento, relembrando também, entre outras coisas, a necessidade de se redobrar esforços no Brasil para solucionar os problemas ainda enfrentados na prevenção e assistência à Aids.
Dentre as muitas mesas e oficinas, houve uma mesa de discussão muito interessante contrapondo a política ABC (Abstinência, Fidelidade e Camisinha) dos Estados Unidos e outra política mais parecida com a brasileira chamada CNN (Camisinha, Troca de Seringas e Negociação). As críticas à ABC foram muitas.
Um dos momentos que foi muito importante para nós brasileiros foi a assinatura do acordo com vários países (Rússia, China, Nigéria, Ucrânia e Tailândia) para a transferência de tecnologia para a produção de medicamentos, preservativos e os exames de CD4 e carga viral. Um dos grandes financiadores desta iniciativa deve ser a Fundação Ford.
Outra decisão foi de que a Força Tarefa em HSH na América Latina organizará um levantamento das melhores práticas junto a esta população, com base nas experiências de México, Argentina, Brasil e Guatemala.
Quase 20 mil delegados de 162 países participaram da conferência. Foram 2.000 bolsistas da Tailândia e 1.329 de outros países, sendo que 21% das bolsas foram para as pessoas vivendo com HIV/Aids e 91% das bolsas foram para pessoas de países em desenvolvimento. Informações sobre a Conferência podem ser tidas pela página www.aids2004.org.
Toni Reis é Representante do Movimento Homossexual na CAMS – Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais do Programa Nacional de DST e Aids,
Secretário Geral da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros – ABGLT e Presidente do Grupo Dignidade e do Centro Paranaense da Cidadania.
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