José Carlos Veloso
Na semana de 24 de março o mundo tem os olhos voltados para uma antiga epidemia que novamente causa preocupações no setor de saúde publica mundial, a tuberculose. Diferente da epidemia de um século atrás, hoje vem acompanhada de outra epidemia que ainda segue sendo um desafio para saúde publica e movimentos sociais de saúde em todo o mundo, a AIDS.
Essas duas epidemias juntas aumentam ainda mais os desafios frente a diversos fatores diretamente relacionados a elas: pobreza, discriminação, falta de políticas públicas, acesso a tratamento entre outros. O Brasil enfrenta a dura realidade de estar entre os 22 países que mais tem casos de TB no mundo, ocupado o triste posto de 16ª lugar, atrás de países como Índia, Gongo e China, isso mesmo, o país que tem o programa modelo para o combate ao HIV/AIDS no mundo, não consegue desenvolver uma resposta eficaz para o combate a epidemia de TB. Por que Será? Quais serão os fatores que implicam nessa má resposta ao enfrentamento da TB?
Segundo dados do Ministério da Saúde, são 80 mil novos casos de TB por ano no país, acumulando mais de 50 milhões de casos, dados preocupantes para o país que mais desenvolve políticas de saúde pública de ponta na região da América Latina. Atualmente com o desenho de uma nova política de combate a TB que está sendo proporcionada pela inserção do Fundo Global de combate a AIDS, TB e Malária, que propõe ações mais centradas do governo com a participação da sociedade civil e gerando novas metas com resultados concretos, o Brasil tem novamente a chance de se destacar no cenário de saúde pública mundial.
Hoje o governo investe em parcerias como PSF (Programa Saúde da Família) e na estratégia DOT (tratamento diretamente supervisionado, sigla em inglês), esse, no entanto se conforma no maior desafio nas unidades de saúde, capacitar e sensibilizar profissionais de saúde para que façam o acompanhamento direto ao pacientes com o monitoramento da adesão ao tratamento, que atualmente registram um significado índice de abandono. Algumas iniciativas estão sendo lentamente implantadas no sistema de saúde como, oferecimento de cestas básicas para o doente de TB com grave diagnostico de pobreza a vale-transporte para locomoção dos mesmos até os serviços de saúde, de acordo com o tratados entre Ministério da Saúde, secretárias estaduais e municipais, ainda sim insuficientes para alcançar o patamar de 85% de cura exigidos pela Organização Mundial da Saúde o qual o governo brasileiro diz ter atingido 77%.
Diante de tal cenário é bom lembrar que 15% de pessoas com HIV/AIDS desenvolvem TB, apontado para uma das principais doenças oportunistas causadas pelo HIV/AIDS, claro que os serviços de AIDS estão em grande maioria preparados para atender e acompanhar esses usuários, mas e os serviços de saúde básica na ponta? Um cenário nacional com 5 mil óbitos por ano em decorrência de TB é uma grande vergonha para nosso sistema de saúde.
Está posto aqui mais um grande desafio para a saúde pública, principalmente para o setor comunitário com tantas demandas nos diversos seguimentos de saúde.
José Carlos Veloso, é assistente social, presidente do GAPA/SP, mestre em ciências da saúde.
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