Trocando experiências com a Jamaica – Micaela é Integrante da Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV e Aids

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Micaela Carolina Cyrino

Um país com uma desigualdade social muito grande. Nos bairros há contrastes enormes entre os casarões e os barracos. Um país com um povo receptivo e acolhedor. Com estas descrições parece até que estou falando do meu país, o Brasil, mas não.

Refiro-me a Jamaica, onde estive em Novembro do ano passado, com o objetivo de trocar experiências no que se refere ao estigma e preconceito relacionados ao HIV e Aids. E é sobre esta viagem, a melhor da minha vida, que vou contar neste espaço.

Convidada pelo Unicef, cheguei a cidade de Kingston, a capital nacional, em nove de Novembro. Lá fiquei até o dia 20, participando de vários encontros com a sociedade civil, ministério da saúde, entre outros. E nesses encontros o que mais me chamou a atenção foi o enorme preconceito para com as pessoas soropositivas daquele país.
Há preconceitos em diversos aspectos. Fiquei sabendo que muitos homossexuais são assassinados. Se tiver HIV, pior ainda. Senti um forte machismo na sociedade.

Os jamaicanos ficaram chocados porque nós brasileiros distribuímos camisinhas nas escolas para “crianças”, segundo eles, de 12 anos. Lá isso é proibido. A distribuição só é feita para maiores de 16.

Mas, por um lado, fiquei feliz por não ver muitas crianças fora da escola. O governo arca com os estudos até o ensino médio. Os alunos utilizam o transporte público a preços muito baratos para irem à escola. Parece muito mais fácil que no Brasil.

Também gostei muito das ações de prevenção voltadas aos jovens. Eles apoiam muitos movimentos culturais. Bem parecido com o Brasil. Eles investem em grupos de dança, teatro e musica como meio de mudança para as vidas dos jovens.

Em especial, gostei da iniciativa “Bashy Bus.” Um ônibus animado que leva jovens às comunidades para apresentarem peças teatrais, danças e discutirem sobre HIV e Aids. No final, o teste rápido de HIV é preservativos são oferecidos, ensinando como usar. Gostaria muito de ajudar a replicar esta ideia de alguma forma no Brasil.

Com certeza está viagem foi incrível. Voltei com varias ideias de mudanças… Mudanças pra minha vida e mudanças para outras vidas. Aprendi que a Aids é uma doença muito maior do que eu pensava, e que a luta e tão grande quanto.


Integrante da Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV e Aids

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