Fábio Henrique
Aceitar o HIV em minha vida não foi um fato muito bom, foi uma grande luta. Venho lutando há 4 anos e nunca tinha me cuidado, até encontrar uma ONG que, desde então, mudou a minha vida e meu pensamento. Fui chamado para fazer um vídeo que mostrasse meu rosto e sabia que teria os dois lados da moeda: acabar com o preconceito e ser alvo de preconceito. Mesmo assim topei. Fiz isso para mudar o pensamento das pessoas sobre um soropositivo, mostrar a elas que somos normais como todos e que podemos fazer tudo o que quisermos.
O que me chocou nesse vídeo foi o fato de muitos jovens não usarem camisinha por saberem que existe o tratamento. Participaram da gravação os soropositivos mostrando o outro lado, que além dos remédios para o HIV/Aids, existem também seus efeitos colaterais e o preconceito. O título do vídeo é “SE CUIDA QUE A PARADA É DOIDA”, bem atual na linguagem jovem.
Foram sete jovens, três positivos e quatro negativos. Falamos sobre a realidade de hoje, tentamos mostrar para os jovens que duas pessoas sorodiscordantes podem se relacionar normalmente e que transar sem camisinha não é prova de amor para ninguém. Alguns soronegativos pensam assim.
Esse projeto foi uma iniciativa da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro. Sei que posso ser alvo de muita discriminação, mas tenho minha cabeça erguida. Não vou mudar o mundo, mas sei que posso mudar os pensamentos de uma pessoa em relação à Aids.
Agradeço a ONG SaberViver e ao grupo Pela Vidda do Rio de Janeiro, que está com o projeto “Pensando no futuro” e que está ao nosso lado para tudo. Tenho a certeza que sou muito amado, mesmo sendo portador do vírus HIV. Uma das provas é ter um companheiro que me aceita, mesmo eu sendo positivo e ele negativo, e que teve participação no vídeo. Além disso, meus amigos e clientes sabem do meu diagnóstico e me aceitam, pois sou normal. Ser soropositivo é ser normal…
Fábio Henrique é integrante da ONG Saber Viver e do Grupo Pela Vidda no Rio e Janeiro
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