Por Naila Janilde Seabra Santos
Até o mês passado, a possibilidade de casais portadores de HIV/aids terem filhos era um sonho remoto.
Hoje, com a parceria firmada entre a Coordenação Estadual de DST/Aids-SP e o Centro de Reprodução Assistida em Situações Especiais (CRASE) da Faculdade de Medicina do ABC, e com apoio por cooperação técnica da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), este projeto poderá se tornar realidade.
O HIV acomete pessoas de todas as faixas etárias, e particularmente os adultos jovens, que se encontram no auge da vida reprodutiva.
Estudos demonstraram que a infecção pelo HIV não diminui o desejo reprodutivo das pessoas vivendo com HIV.
Os direitos reprodutivos e sexuais estão baseados na possibilidade de tomada de decisão livre e responsável sobre as questões relativas à sexualidade e reprodução humana apoiados nos direitos humanos, ou seja, a partir de uma perspectiva de igualdade e equidade sociais.
Assim, mulheres e homens, independente de sua condição sorológica para o HIV, devem ter acesso aos métodos de planejamento familiar e aos serviços de saúde reprodutiva.
As pessoas vivendo com HIV têm direito a uma decisão consciente sobre ter ou não ter filhos, e devem fazê-lo o mais informadas possível quanto à perspectiva de infecção de seus bebês e parceiros(as) soronegativos no momento da concepção, independente de orientações ideológicas, de qualquer ordem, dos profissionais de saúde. Assim, os serviços de saúde devem disponibilizar atendimento e orientação às pessoas no que diz respeito ao exercício de sua sexualidade e suas decisões reprodutivas.
A reprodução assistida para as pessoas vivendo com HIV garantirá uma redução de risco, sem riscos de infecção para o bebê e do(a) parceiro(a) soronegativo, no caso dos casais sorodiscordantes, ou sem risco de re-infecção para casais que ambos sejam soropositivos.
Em situações em que o homem tiver o HIV será proposta a técnica de lavagem do esperma, e posterior inseminação.
Caso a mulher seja soropositiva, ela será orientada sobre o melhor momento para engravidar. Se o homem for soronegativo, o casal terá a possibilidade de recorrer a inseminação artificial, com o esperma do parceiro.
Uma gravidez programada permite, além da escolha do melhor momento clínico, uma adequação dos antiretrovirais prescritos, considerando o esquema mais adequado para a paciente e para a profilaxia da transmissão vertical. Além da adequação da terapia antirretroviral, as outras medidas preconizadas para diminuir a chance de infecção do bebê, na gestação, no parto e no puerpério (fase pós parto) serão adotadas.
O Ambulatório de Reprodução Assistida do Centro de Referência e
Treinamento DST/Aids-SP, vinculado a Secretaria de Estado da Saúde-SP, funciona às quintas-feiras, a partir das 7h30.
Rua Santa Cruz, 81, Vila Mariana, São Paulo.
Telefone: (11) 5087 9889 / (11) 5087 9889
Naila Janilde Seabra Santos trabalha para a área de prevenção e reprodução assistida no Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo
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