Rumo à ampliação da testagem – Mariângela Simão é diretora do Programa Nacional de DST/Aids.

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Mariângela Simão

O ano de 2008 foi marcado por muitos avanços nas políticas públicas de enfrentamento à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. O número de preservativos distribuídos bateu recorde histórico: 406 milhões de unidades, o que representa um acréscimo de mais de 300% em relação a 2007. O Brasil também inaugurou a primeira fábrica estatal de preservativos do país e a única no mundo a utilizar látex de seringueira nativa para produzir o insumo. Um orgulho nacional, a iniciativa é estratégica para o desenvolvimento da indústria brasileira; impulsiona a economia local; e está baseada nos conceitos de desenvolvimento sustentável, social e ambiental.

Outra boa notícia foi o aumento da sobrevida dos adultos que vivem com Aids . Nas regiões Sul e Sudeste, o tempo médio de sobrevida saltou de 58 meses para mais de 108 meses entre 1995 e 2007. Entre as crianças, a chance de sobrevivência de menores de 13 anos que vivem com aids cresceu substancialmente desde o início da epidemia. A probabilidade de as crianças do grupo estarem vivas após cinco anos do diagnóstico passou de 24% para 86% entre 1983 e 2007. Esse aumento é a prova de que o acesso universal ao tratamento muda a história natural da doença. Em pouco mais de dez anos, a Aids deixou de ser uma sentença de morte.

Para aumentar ainda mais a sobrevida das pessoas que vivem com HIV, o desafio é ampliar o diagnóstico da doença, realizado de forma tardia em cerca de 40% dos casos. Com esse intuito, em 2009 o Ministério da Saúde encaminhará 3,3 milhões de kits para teste rápido anti-HIV aos estados. Trata-se do dobro do que foi repassado em 2008 e um investimento de cerca de R$ 18 milhões. Os exames convencionais serão igualmente impulsionados. O orçamento anual dos estados teve um incremento de R$ 16 milhões para o pagamento de testes para detecção de Aids e sífilis.

Os profissionais de saúde e a sociedade civil organizada são importantes parceiros na ampliação da testagem no Brasil. Juntos, obteremos ainda resultados que poderão garantir melhor qualidade de vida para as pessoas que vivem com HIV.

Diretora do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde

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