Por Salvador Côrrea*
24/05/2017 – A incorporação da PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV) no SUS tem sido uma demanda constante do movimento social de aids. Ampliar a prevenção é um passo muito importante para que o Brasil melhore a resposta à epidemia, desde que seja pautada nos direitos humanos e na valorização de grupos e populações mais afetadas pelo HIV.
A população tem direito ao acesso a todas as possibilidades de prevenção disponíveis: superação das barreiras estruturais e sociais (especialmente estigma e discriminação) e acesso a camisinha, gel lubrificante, PrEP, PEP (profilaxia pós-exposição). Além disso é preciso debater a disponibilidade da PrEP com a sociedade civil organizada, tendo como norte a universalidade, integralidade e equidade.
Para garantir o pleno acesso à PrEP no SUS precisamos ter a clareza de que para adquirir a sustentabilidade do menor custo a longo prazo necessitamos da Truvada livre de patentes. Sabemos que o processo de patenteamento do Truvada tem tido sua possibilidade questionada, o que é um grande benefício para a sociedade. É preciso que o governo apoie a sociedade civil nessa luta.
Também é importante ressaltar que colocar o Truvada e outros medicamentos para aids, longe dos interesses econômicos das farmacêuticas, tem sido uma grande batalha do movimento social brasileiro. Os interesses econômicos da indústria farmacêutica dificultam a incorporação de novos medicamentos no SUS. A Gilead, fabricante do Truvada, quer o monopólio sobre a combinação de dois medicamentos, que já estavam em domínio público. A garantia da sustentabilidade da incorporação da PrEP no SUS vai além de uma negociação com a indústria. É preciso que o Truvada passe a ser de domínio público e seja produzido por qualquer laboratório no país. Assim, poderemos garantir PrEP para todos que precisam no SUS por muito mais tempo.
Além disso, a disponibilidade da PrEP ainda enfrenta pensamentos conservadores que insistem em controlar o sexo e a libido alheia.
Alguns acreditam que, com essa possibilidade de tomar um medicamento e se proteger contra o HIV, as pessoas poderiam deixar de usar camisinha. Na verdade o que se busca é oferecer possibilidade de prevenção para quem já não usa o preservativo, alcançando assim grupos mais vulneráveis, e garantindo seu acesso a saúde sem julgamentos e estigmas.
Por fim, precisamos lembrar que o governo já anunciou a incorporação da PrEP outras vezes. Queremos saber, quando de fato, a população terá acesso pleno à PrEP no SUS.
*Salvador Correa é psicólogo, especialista em saúde coletiva, mestre em Saúde Pública e ativista no movimento social de aids. Atualmente, é coordenador de treinamento e capacitação na Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA). Atua no acolhimento de pessoas recém-diagnosticadas com HIV e é autor do livro “O Segundo Armário: Diário de um Jovem Soropositivo”.
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