Reflexões de um participante do Enong em Salvador. Rubens Raffo é integrante do Fórum de ONG/Aids do Rio Grande do Sul e da RNP+

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Por Rubens Raffo
 
O XVII Encontro Nacional de Organizações Não Governamentais que atuam contra a Aids (Enong), realizado entre os dias 7 e 10 de novembro, em Salvador, teve como tema a sustentabilidade da participação social na resposta brasileira à epidemia. O evento foi organizado pelo Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (GAPA) da Bahia e pelo Fórum Baiano de ONG/Aids (FOBONG).

A proposta era de que os Encontros Regionais de ONG/Aids, promovidos após o XVI Enong/Aids, em Belém, em 2011, discutissem a sustentabilidade da sociedade civil, o que, no meu entendimento, foi atendido apenas parcialmente, tendo em vista que muitos delegados não sabiam o que se discutiria em Salvador. A maior preocupação de vários participantes era a definição das representações nacionais junto ao gestor federal e outros espaços políticos.

A conferência de abertura feita pelos professores Mário Scheffer, do Grupo Pela Vidda/SP, e Jairnilson Paim, da Universidade Federal da Bahia, foram brilhantes e objetivas com a temática proposta para o XVII ENONG, dando subsídio aos participantes para discussão.

A mesa  "Conversa Afiada” tornou-se Conversa “fiada”, já que algumas das representações regionais presentes na mesa não foram contundentes nos seus questionamentos. Cito, em especial, a região Sul, cujo representante estava mais preocupado com o seu estado, o Paraná, e com os jovens, sem citar os motivos da alta incidência de HIV no Rio Grande do Sul e Santa Catarina e os resultados da “Força Tarefa”, organizada dias antes, em Curitiba, pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais para reverter a situação contra a epidemia na região.

Nos grupos de trabalho dos quais tive oportunidade de participar notei que muitos dos observadores e delegados não tinham domínio do assunto “sustentabilidade”, o que me levou a entender que o tema  não foi predominante nas bases de alguns ERONGs.

E  para finalizar minhas impressões sobre o Enong em Salvador, percebi que o representante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+) da Bahia, com o propósito de ter mais poder político e não necessariamente por falta de entendimento do que significa o termo Encontro Nacional de Ong/Aids, exerceu o seu direito de voz, propôs e conseguiu aprovação para alterar a nomenclatura do Enong, incluindo nela os demais movimentos sociais de luta contra a aids, não necessariamente as ONGs, descaracterizando um encontro que era exclusivo e tradicional há 23 anos.

Espero que a RNP+, que existe há 16 anos, dê seu exemplo e abra os seus encontros para as ONGs/Aids, já que até hoje nunca permitiu a participação das mesmas em seus eventos, exceto debatedores e conferencistas em algumas mesas.

Rubens Raffo é integrante do Fórum de ONG/Aids do Rio Grande do Sul e da RNP+

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