Henrique Ávila*
14/07/2016 – O que esperar do mais importante acontecimento mundial sobre HIV/aids? Teremos espaço para falar de nossas necessidades num momento em que o governo brasileiro parece ignorar os 35 anos de luta contra a epidemia? Num ano em que deixou de viabilizar a ida de nossa “juventude positHIVa” para o maior evento sobre o tema do mundo? É sobre isso que farei uma reflexão nas próximas linhas.
Com o tema Access Equity Rights Now (Acesso à Igualdade de Direitos Já), acontece, entre os dias 17 e 22 deste mês de julho, a 21ª Conferência Internacional de Aids. Dessa vez, dois anos depois de ter sido realizado em Melbourne, na Austrália, o evento desembarca em Durban, na África do Sul, onde já estou. Ativistas, técnicos e pesquisadores em HIV/aids do mundo inteiro estão chegando para debater, durante seis dias, a resposta internacional à epidemia, apresentar estudos, soluções e trocar experiências.
É a minha segunda participação numa conferência internacional de aids. Em 2014, estive em Melbourne como selecionado da IAS – International Aids Society. Agora, estou em Durban como participante da LIVINNG2016, pré-conferência que reunirá sexta e sábado (15 e 16) líderes em HIV/aids.
A conferência de Durban vem como um lampejo de esperança para novas respostas e novos horizontes em equidade e tratamento. Porém, pulsa em meu coração, e acredito que em todos os corações, um desejo latente de que se chegue à cura. E que seja a cura para todos os males que nos afetam: a necessidade de tratamento de primeira linha com toxicidade baixa, a urgência de maior acesso à informação e à prevenção positiva, de um sistema laico com equidade e da recuperação da nossa política de aids, que já foi considerada melhor do mundo.
Espero ser mais uma oportunidade de denunciar ao mundo os retrocessos que estamos enfrentando na nossa resposta nacional de enfrentamento às IST/aids. Prova disso é a nossa representação em Durban. Em 2014 havia uma delegação brasileira rica em diversidade e representatividade e hoje se fala que só três pessoas — sendo uma da CAMS (Comissão de Articulação com Movimentos Sociais do Ministério da Saúde), uma da RNP+Brasil e uma do Movimento das Cidadãs PositHIVas — com financiamento do governo federal.
Durante a conferência de Durban, os jovens estarão ligados por meio de diversas atividades. Inclusive, conduziremos reuniões e algumas seções importantes como a “What a Girl Wants: Sexual and Reproductive Health and Rights, Treatment Access and Gender Equality” que contará com a participação de jovens ativistas, além da atriz sul-africana Charlize Theron, Oscar de melhor atriz por “Monster, Desejo Assassino” para discutir o papel da mulher em igualdade do tratamento, além de direitos sexuais e reprodutivos.
Faremos uma reunião com Luis Loures, diretor adjunto do Unaids (Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids), juntamente com outros representantes da América Latina, com o intuito de fortalecer o protagonismo de adolescentes e jovens vivendo com HIV/aids.
A Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids, da qual sou coordenador, terá também um estande na Global Village, espaço destinado às comunidades, onde ficarão expostas algumas fotos, além de informativos sobre nossos trabalhos.
Também pretendemos fazer a cobertura completa da 21ª Conferência Internacional de Aids em suas redes sociais e em seu site oficial www.jovenspositivos.org.br com atualizações diárias sobre as principais discussões e debates, como integrante do GT de Cobertura colaborativa da Rede Jovens LAC+.
* Henrique Ávila é coordenador da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids
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