Por Américo Nunes Neto
Nesse mês de julho de 2014 acontece a 20ª Conferência Internacional de Aids, em Melbourne, na Austrália. Significa que já se passaram quase 30 anos desde a primeira, que foi em 1985, em Atlanta (EUA). Durante essas décadas, todas as conferências, realizadas a cada dois anos, reuniram representantes de governos, sociedade civil organizada, agências de cooperação, empresas privadas, órgãos das Nações Unidades e de direitos humanos de vários países.
Assim, chegamos em 2014, com mais de dez mil pessoas a fim de compartilhar conhecimentos e experiências, em Melbourne. Mais uma grande oportunidade de analisar e debater assuntos nacionais e internacionais sobre as políticas de aids no mundo, apresentar respostas, estratégias e deliberações.
Com apoio do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, entre vários ativistas brasileiros estarei representando o Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids).
Por ser essa a minha terceira participação em Conferência Internacional de Aids, minha esperança se baseia em expectativas de novos conhecimentos científicos e estratégias para o acesso universal à prevenção e ao tratamento. Conto com maior empenho das autoridades de Estado não só nas áreas de prevenção e assistência, mas, principalmente, nas de pesquisas cientificas.
Espero também que sejam apresentadas estratégias financeiras sustentáveis para o desenvolvimento das ações de base realizadas pela sociedade civil organizada. E que zelem pelo fim do estigma, do preconceito e da violação dos direitos das pessoas vivendo com HIV/aids. Para além das grandes plenárias, a aldeia global é um espaço estratégico na conferência e pretendo usá-lo para trocar experiências.
O que levo para a conferência são respostas afirmativas, avanços e desafios das ONGs/Aids brasileiras de âmbitos técnico, político e financeiro. Vivenciamos muitas conquistas, mas estamos diante de uma conjuntura que pede cautela sobre as Metas de Desenvolvimento do Milênio Unaids/Onusida (zero infecção, mortes e discriminação) – a meta que a todos interessa inclui a saúde integral das pessoas que vivem com HIV/aids.
Hoje já não temos o status de melhor programa de aids do mundo, mas ainda somos referência em muitos aspectos e essa é uma das reflexões que também levo para a conferência.
Destaco que cumpre fazer alguns balanços das conferências anteriores. O que nós, brasileiros, já emplacamos nesse evento? O que tiramos de proveito? O que não deu certo? Como vamos lidar com as doenças sexualmente transmissíveis e hepatites virais? Quais os desafios da aids e comorbidades?
São questões importantes para fomentar nossos desafios. Entendo ser interessante procurar e analisar os marcos mais representativos na evolução teórica e prática das deliberações da conferência. Mas nenhum grande evento internacional de aids dará conta de nenhum desafio se não fizermos nosso papel em nossas conferências municipais e estaduais.
Acelerando o Ritmo é o tema dessa conferência, portanto penso que as iniciativas devem vir de todos os setores que possam agilizar e contribuir para com a criação de uma política de saúde eficiente, que possa ser levada a cabo pelas pessoas nas suas comunidades, nacionalmente pelos governos e ONGs e, globalmente, por meio das organizações internacionais.
As ações devem envolver, predominantemente, setores como educação, trabalho, transporte, habitação, entre outros. A política sustentável das ações governamentais, não governamentais e a atuação de parcerias local e nacional de fortalecimento para o enfrentamento da aids no mundo será possível com a união de esforços. Sem isso, o ritmo da luta contra a aids não será acelerado.
Américo Nunes Neto é presidente do Instituto Vida Nova Integração Social Educação e Cidadania e integrante do Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids)
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