Proteja o Gol – uma campanha diferente, que atravessou continentes antes de se abrasileirar

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Por Georgiana Braga-Orillard

Quem ouviu os gritos na rua na última terça-feira (17 de junho) não pode duvidar do poder de união do futebol. A cada bola ao gol do Brasil, ou a cada ocasião perdida, era um só coração que batia forte e no mesmo ritmo.

Nesse contexto, o Programa Conjunto das Nações Unidas Sobre HIV/Aids (Unaids) viu na Copa do Mundo uma valiosa oportunidade para aproximar-se dos jovens e dos fãs de futebol e trazer uma mensagem tripla: zero nova infecção por HIV, zero discriminação e zero morte relacionada à aids.

A bola-símbolo da campanha Proteja o Gol partiu da África do Sul – país que sediou o mundial de futebol de 2010 – e atravessou continentes, angariando adesões à campanha. Antes de chegar ao Brasil, foi assinada pelos chefes de estado de Argélia, Argentina, Camarões, Chile, Colômbia, Costa do Marfim, Costa Rica, Equador, Gana, Honduras, Nigéria e Uruguai. O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, e o prêmio nobel da paz e ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, também já a assinaram.

Ao chegar ao Brasil, a campanha se abrasileirou. A presidenta Dilma Rousseff firmou o seu apoio ao projeto. Também assinaram a bola o ministro da Saúde, Arthur Chioro, o governador da Bahia, Jaques Wagner e ACM Neto, prefeito de Salvador – cidade que acolheu a cerimônia de lançamento da campanha no último dia 9 de junho. Kátia Guedes, representante do Fórum Baiano de Ongs, também assinou a bola, que ficará exposta na Casa da ONU, em Brasília.

Na cerimônia, o diretor executivo do Unaids, Michel Sidibé, afirmou que “devemos focar nos direitos humanos e na inclusão social (…). Se deixarmos alguém para trás, isso significa que falhamos”. Keila Simpson, representando a sociedade civil, também centrou sua fala nos direitos humanos e em zero discriminação, principalmente das pessoas trans.

Em parceria com o Ministério da Saúde, estados e municípios, a campanha vai garantir a distribuição de dois milhões de preservativos e dois milhões de panfletos informativos, teste rápido e gratuito em unidades móveis e aconselhamento nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo e em outras cidades que aderiram à Proteja o Gol –como Aracaju, Porto Seguro, Ribeirão Preto e Santos.

O movimento social tem sido crucial no apoio à campanha. Grupos como Pela Vidda, Rede Jovem, RNP+, MNCP+, Fobong, Gapa Bahia, entre outros, têm participado ativamente das intervenções da campanha, somando-se aos jovens voluntários de todo o Brasil que receberam treinamento organizado pelo Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA).

No Brasil, o Ministério da Saúde estima que cerca de 718 mil pessoas vivam com o vírus; nesse total, 150 mil desconhecem o seu status sorológico. A campanha tem o objetivo de levar a mensagem de prevenção, promoção do teste e combate à discriminação aos brasileiros e turistas nesse momento de festa. E esperamos – quem sabe – ainda sermos laureados com a taça no final do campeonato…

Georgiana Braga-Orillard, diretora do Unaids no Brasil

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