Por uma vacina contra a aids. Jorge Beloqui é membro do Comitê Comunitário de Vacinas anti-HIV

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Por Jorge Beloqui

Comemora-se em 18 de maio o Dia Internacional de Conscientização para uma Vacina anti-HIV. Hoje existem várias estratégias de prevenção contra a infecção pelo HIV, tais como os preservativos masculino e feminino, a circuncisão masculina e a profilaxia pós-exposição sexual (PEP). Outras estão próximas de aprovação, como a profilaxia pré-exposição (PrEP) e o tratamento como prevenção (TP). Todas estas ferramentas são muito valiosas e têm seus limites e qualidades.

Com todos estes recursos, seria necessária ainda uma vacina para HIV?

Pensamos que sim! Uma vacina poderia ser aplicada em massa e por serviços de saúde de baixa complexidade, o que constitui uma grande vantagem em comparação às outras ferramentas. A duração da proteção deveria ser de, pelo menos, um ano. E com a utilização desta possível vacina combinada com outras formas de prevenção nos leva a sonhar num futuro onde a pandemia de HIV e aids esteja totalmente sob controle.

Já foram iniciados vários ensaios de vacinas anti-HIV no mundo, e somente um produto estudado mostrou uma pequena proteção, o que é alentador. A descoberta de anticorpos que neutralizam muitas variedades do vírus HIV deu grande fôlego à procura por novos produtos candidatos à vacina.

No Brasil, temos atualmente um ensaio de vacina preventiva no Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e um outro ensaio de vacina terapêutica no Hospital das Clínicas, também, em São Paulo.

O Brasil precisa de mais centros para testagem de vacinas anti-HIV para estar entre os primeiros países a usufruir de uma eventual vacina eficaz, e também destinar mais fundos para a pesquisa de uma vacina e outros instrumentos de prevenção, e até mesmo para cura total da aids, como solicita uma carta enviada recentemente pela Articulação Nacional de Luta contra a Aids (Anaids) ao governo federal.

Jorge Beloqui é membro do Comitê Comunitário de Vacinas anti-HIV, professor, e integrante do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) e Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+).


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