Por que todos devem assistir Babygirl – uma lição de respeito ao diverso

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Não é uma lição de prevenção de IST – o filme não explicita isso.

Não é uma lição de politicamente correto. Mas, uma lição muito mais profunda, do humano e de compreensão do diverso, de relações interpessoais, de uma posição antropológica e fenomenológica: simplesmente se colocar no lugar do outro.

Entender a história da tal executiva (Romy – interpretada por Nicole Kidman), que não consegue ter orgasmos, somente frente à fantasia de ser dominada.

Então, não importa se isso é derivado de ter vivido a infância sobre a influência de um líder (um guru) que simboliza a autoridade, não importa se você se identifica com a fantasia dela ou não, ou acha que o filme é over e submete a personagem a cenas de humilhação. Não importa! Romy não é você.

É preciso se colocar no lugar dela, sentir suas expressões, reações e entender o que ela quer. Ou melhor, do que precisa. Precisa para gozar e, assim, relaxar e se sentir plena.

O filme não é para julgá-la, mas para senti-la, colocar-se em seu lugar, tarefa facilitada pela interpretação espetacular de Nicole Kidman junto a Harris Dickinson – que aliás deviam ter ambos sido indicados ao Oscar, não fosse o puritanismo americano de querer sempre propagar um “correto”.

Assim, a Diretora do filme Halina Reijn, com grande sensibilidade, desnuda, inclusive trazendo experiências próprias, que sexo é química interpessoal, é um encontro, uma troca, em que o outro precisa ser olhado. As necessidades, fantasias e comportamentos se pautam no subjetivo, são de cada um.

Por isso, quanto à sexualidade, não nos cabe julgar qualquer pessoa ou suas práticas, escolhas e parcerias, bem como suas expressões de gênero. Cada um é diferente e merece respeito – o que é declarado com a última cena da personagem no escritório.

Romy se envolve com um estagiário novíssimo, resolve na prática a sua carência e se torna plena. Expõe e enfrenta suas vulnerabilidades, estabelece consensos de limite para se sentir segura e também troca afeto.

Na trama, termina também por resolver sua relação conjugal, mas muitos iriam jogar tudo para o alto e trocar de vida. Não podemos julgá-los!

OBS: Não se espante se ficar com tesão no filme!

 

Regina Figueiredo
(reginafigueiredo@uol.com.br)

é Antropóloga, Sexóloga e Doutora em Saúde Pública
e Pesquisadora Científica e Coordenadora de Projetos
da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

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