O Dia Mundial da Saúde é um convite para refletirmos sobre os desafios que ainda enfrentamos para garantir saúde como um direito de todas as pessoas.
Entre esses desafios, não podemos deixar de falar sobre o enfrentamento ao HIV/aids. Mesmo com tantos avanços na ciência, no tratamento e na prevenção, o HIV ainda carrega um peso enorme para a saúde pública e para a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.
Precisamos lembrar que viver com HIV hoje não é mais uma sentença de morte — é possível ter qualidade de vida com o acesso e tratamento adequados, mas ainda enfrentamos grandes barreiras, como o preconceito, a desinformação e o estigma que afastam as pessoas da testagem, do cuidado e do acolhimento que merecem.
O Dia Mundial da Saúde nos chama a repensar esses obstáculos e fortalecer a nossa luta por uma saúde verdadeiramente universal, onde ninguém fique para trás.
É nosso papel, enquanto sociedade, enquanto profissionais e enquanto cidadãos, promover ações de educação, ampliar o acesso à prevenção — como o uso do preservativo, a PrEP e a PEP — e garantir que todos e todas possam ter acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento humanizado.
Saúde não é apenas ausência de doença. É dignidade, é respeito, é inclusão.
Que possamos, neste dia, renovar o nosso compromisso de cuidar da saúde em todas as suas dimensões e, especialmente, reforçar a luta contra o HIV/aids, construindo uma sociedade livre de preconceitos, onde a vida e a saúde sejam sempre prioridade.
Criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o dia 7 de abril visa conscientizar a população sobre temas importantes ligados à saúde global.
Apesar de haver uma data específica para alertarmos sobre a aids (1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids), o Dia Mundial da Saúde também é uma oportunidade fundamental para reforçar a importância da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do HIV/aids, uma das epidemias globais mais significativas das últimas décadas.
O HIV ainda é uma questão de saúde pública, com impacto social, econômico e individual profundo, e deve ter um olhar para as mulheres, que devem estar no centro da resposta à epidemia de HIV. A desigualdade de gênero é um dos principais fatores que impulsionam esta epidemia.
A luta contra o estigma e a discriminação das pessoas vivendo com HIV/aids é fundamental para garantir o direito à saúde. A ampliação do acesso à testagem e ao tratamento antirretroviral contribui para a meta global de acabar com a epidemia até 2030.
A prevenção combinada (preservativo, PEP, PrEP, educação sexual) salva vidas e reduz a transmissão do vírus.
O Dia Mundial da Saúde nos convida a pensar a saúde de forma integral, considerando não apenas a ausência de doença, mas o bem-estar físico, mental e social. Falar de HIV/aids nesta data é reafirmar o compromisso com uma saúde pública inclusiva, humanizada e livre de preconceitos.
O dia de hoje demarca um chamado à luta coletiva frente aos retrocessos impostos por governos da extrema-direita, nacional e internacional. Estes são responsáveis por agudizar as mazelas que recaem, especialmente, sobre a classe trabalhadora.
Nos deparamos neste 7 de abril com a expansão das privatizações e da mercantilização da vida, a necessidade de fortalecer a luta contra os interesses do capital que visam unicamente transformar a saúde em mercadoria.
A luta pela saúde perpassa pela necessidade de fortalecer o Controle Social do SUS nas três esferas de governo, com vistas a pautar condições dignas de vida e trabalho, e significa, portanto, nos somarmos à luta pelo fim da escala 6×1, tão característica dos tempos de intensa precarização do trabalho em que vivemos.
É nessa conjuntura que se torna fundamental fortalecermos os diferentes espaços de organização e mobilização popular em torno da saúde em sua concepção ampliada, comprometida com as necessidades da classe trabalhadora.
Diante da realidade do SUS, que sofre cotidianamente ataques que buscam enfraquecê-lo e desmontá-lo para justificar parcerias público-privadas, terceirizações, quarteirizações, corte de investimentos, convocamos a população na defesa da continuidade das conquistas históricas da Reforma Sanitária, em um SUS 100% público, estatal, gratuito, universal, laico, popular e de qualidade.
Convocamos toda a classe trabalhadora a somar forças contra os desmontes do SUS, ocupando o legítimo espaço para este debate, que são os conselhos e as conferências nas três esferas de governo.
* Renata Souza é assistente social, integrante do Movimento Nacional de Cidadãs Posithivas e Conselheira Nacional de Saúde.
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