Por Manuela Estolano
Tenho 26 anos, sou pernambucana, nordestina e, antes de mais nada, SOU BRASILEIRA. Há pouco mais de um ano eu descobri a minha sorologia. Sei que receber um resultado como esse não é nada fácil, mas cabe a nós decidirmos se vamos sofrer calados ou se vamos lutar pelos nossos direitos. Essa foi a minha escolha: lutar pelos direitos dos milhares de jovens que muitas vezes preferem ou são obrigados a permanecer no anonimato.
Pouco depois que descobri a minha sorologia, encontrei a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids (RNAJVHA). Foi nesse espaço que realmente encontrei um motivo para não abaixar minha cabeça. Ao ver outros jovens passando pela mesma situação, percebi que essa não é uma batalha para vencer sozinha.
Quando pensaram no meu nome como candidata à coordenação nacional da RNAJVHA, imaginei logo toda a responsabilidade que cairia em minhas mãos, afinal não se trata apenas do meu futuro, e sim do futuro de milhares de jovens. Sei que poderia ter pensado em Ns motivos para não aceitar esta responsabilidade, mas pelo contrário, eu pensei na credibilidade que me deram, lembrei que acreditaram em meu potencial e na minha capacidade para gerir a Rede de Jovens pelos próximos dois anos, e lembrei que eu não estaria sozinha nessa luta, que teria o apoio de todos.
Acredito que ainda teremos muito trabalho. Temos que dar continuidade ao que foi feito pelo meu antecessor José Rayan, mas com algumas mudanças. Uma das minhas grandes preocupações é o acolhimento aos novos jovens, pois muitos não conseguem ter o pensamento político da Rede. Estes, na maioria das vezes, nos procuram apenas para se sentirem seguros diante da sua sorologia.
Cada estado e região tem suas especificidades e suas demandas, que serão vistas atentamente. É esse ponto que precisamos trabalhar cuidadosamente, para que assim todos os Estados e Regiões consigam ter o retorno necessário para que os seus trabalhos prossigam de forma positiva e com o apoio que precisam.
Além disso, acredito que está mais do que na hora de cobrarmos ações mais efetivas do Programa Saúde na Escola (PSE). Muitos Estados ainda não conseguiram ser inseridos no Programa para que possamos falar de prevenção de uma forma mais correta com os jovens de todo o País.
Ao PSE deve-se somar ainda a criação de um plano nacional de juvenização da aids, para que as ações de prevenção e de garantia dos direitos dos adolescentes e jovens vivendo com HIV e aids possam se tornar políticas públicas intersetoriais.
Com esta visão, me apresento como nova Coordenadora Nacional da RNAJVHA, mas sei que esse trabalho não será feito apenas por mim, e sim por todos os jovens da Rede.
Manuela Estolano é coordenadora da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e Aids
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