O RECOMEÇAR DA VIDA COM AIDS, UMA VISÃO FEMININA SOBRE A EPIDEMIA – Silvinha Almeida é ativista do Grupo de Incentivo à Vida (GIV)
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O RECOMEÇAR DA AIDS, UMA VISÃO FEMININA SOBRE A EPIDEMIA

Silvinha Almeida
Há dez anos, me descobri soropositiva, dentro de um casamento estável de
12 anos, dois filhos e uma vida calma e tranqüila. Esta seria sem dúvida a notícia que eu jamais imaginava receber.

Um “teste positivo de HIV, feito por meu marido que se encontrava com
alguns problemas de saúde, caiu como uma bomba em nossa casa”.
Orientada a fazer o exame, outra bomba, eu também estava com o vírus. Dois anos depois, meu marido veio a falecer em decorrência de uma tuberculose,ainda não havia o coquetel anti-hiv, e sua saúde já estava bastante
comprometida.

Viúva e com duas crianças para cuidar, fui em busca de ajuda.
Minha necessidade de viver e cuidar dos meus filhos foi a grande força que me impulsionou a continuar a viver.

No final de 1996, iniciei meu tratamento, alguns medicamentos recebia pela
saúde pública, outros a empresa em que trabalhava e trabalho até hoje,
adquiriam para mim.

Conheci um grupo de ajuda mútua, o GIV, Grupo de Incentivo á Vida, onde fui aprendendo a viver e aceitar a minha nova condição de portadora (de uma doença, cheia de estigmas, preconceitos, medos e culpas). Fui aprendendo a lutar junto ao grupo pela dignidade, pela cidadania, por nossos direitos e pelo respeito. E mais que isto, aprendi a força da palavra “solidariedade”!

Hoje, coordeno um grupo de mulheres no GIV, nossas experiências, a
solidariedade e a preocupação com a grande incidência do aumento da AIDS
entre nós mulheres, nos deu margem para desenvolver uma exposição
fotográfica. DES-construir estigmas e preconceitos, RE-construir nossas
vidas, sensibilizar a população e a sociedade para o avanço da doença, são os objetivos deste nosso trabalho.

REVELAR NOSSA CONDIÇÃO DE PORTADORAS, É REFORÇAR A NECESSIADE DE ENFRENTAMENTO DA EPIDEMIA.

Não nascemos portadoras, nos infectamos vivendo, amando, aprendendo com nossos erros…

Mas não há necessidade de outras tantas mulheres aprenderem chorando o que nós choramos.

Um grande abraço POSITHIVO

Silvinha Almeida

Contato:
almeida.silvinha@ig.com.br

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