Para buscarmos uma luz, precisamos conhecer a História da África. Essa miséria dos 48 países da África Subsaariana, com os menores IDH do planeta, foi sendo construída a partir do Século XV com a chegada dos europeus que destruíram a cultura do povo africano, impuseram as religiões do branco, seu modo de vida de “civilizados” , levando suas riquezas. Deixaram a população doente, empobrecida, com as terras destruídas, à mercê de grupos de mercenários que passaram a dominar. Esse processo não terminou
E hoje, quando nos deparamos com os dados da epidemia de AIDS, nos indignamos com essa realidade assustadora. Entendo que não existe uma solução e sim diversas, passando pela economia, educação e respeito às culturas locais desde que também haja respeito às condições desiguais das mulheres.
Como fortalecer mulheres se estas não acessam igualmente a Escola e, portanto, um trabalho digno que lhes dê autonomia? Sem isso, como quebrarmos as tiranias da desigualdade de gênero, onde jovens meninas, são violentadas para “protegerem” os homens da infecção pelo HIV? ou são obrigadas a se casarem como homens muito mais velhos? Ou coisas piores?
E agora, com a decisão irresponsável do governo norte-americano, que retirou o financiamento dos órgãos da ONU, como UNAIDS (ONUSIDA), UNICEF e outros, para seus projetos de fortalecimento das meninas e mulheres com acesso a Escola, ao trabalho e compra de medicamentos, tanto para a prevenção como para tratar pessoas infectadas, além dos cuidados às gestantes, para a redução da TV.
O que temos? Um aumento significativo de novos casos de HIV e de AIDS, entre a população, principalmente entre bebês, meninas jovens e mulheres. É por demais cruel, pois não elas não têm escolhas.
No meu modo de ver, a solução é parte de um processo demorado, em que o mundo capitalista deve assumir a responsabilidade no enfraquecimento dos países do continente africano, devolvendo as riquezas roubadas, também na forma de apoio aos órgãos da ONU para que continuem a desenvolver o trabalho de fortalecimento das mulheres e meninas, ao acesso à escola, que se discutam questões culturais que constroem a “servidão” da desigualdade de gênero, mostrando o quanto impacta negativamente na vida das mulheres, jovens e adultas. Não podemos esquecer a responsabilidade dos grandes laboratórios que sempre pesquisaram seus medicamentos na população dos países do continente, para que retornem seus investimentos na forma de medicamentos com baixo custo e fácil posologia para essa população.
E quem sabe, dentro de algumas décadas, as mulheres e meninas jovens dos países africanos não precisem fazer parte das estatísticas cruéis da fome, da baixa escolaridade e remuneração, enfim, dessa violência que tanto desrespeita a todas nós.
* Jenice Pizão é professora de história. Lecionou por mais de 30 anos. É ativista, vive com HIV, integra o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, é mãe e avó.
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