O PAPEL SOCIAL DA IMPRENSA NA LUTA CONTRA A AIDS – Paulo Roberto Texeira – Coordenador do Programa de combate à AIDS da Organização Mundial da Saúde

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Quando os primeiros casos de aids foram apresentados ao mundo, a imprensa reagiu da mesma forma que a comunidade científica: espalhando o pânico e ajudando a formar um enorme preconceito em relação à doença. Mas não a culpo. Estávamos diante de uma epidemia nova, as pesquisas eram poucas e desencontradas e as primeiras vítimas eram homossexuais americanos. Estava acontecendo o mesmo que acontece hoje, com a síndrome respiratória aguda grave. Tínhamos mais perguntas do que respostas para um doença que era gravíssima e ninguém sabia de onde vinha nem o que a provocava. As informações chegavam com sérias limitações, em alguns casos devido a fontes que reforçavam o preconceito, em outros devido à demanda do público por respostas imediatas. O “câncer gay” ou “Peste Rosa” como foi denominada no início da epidemia, gerou uma série de manifestos e reivindicações, especialmente de entidades atuantes na área de Direitos Humanos. O mundo abria os olhos para a existência de gays e usuários de drogas, era obrigado a se posicionar sobre as diferenças sexuais e a
dependência química e a imprensa foi fundamental para enriquecer os debates que se seguiram. No final dos anos 80, com o avanço das pesquisas sobre a doença e o desenvolvimento dos anti-retrovirais, observou-se uma mudança na abordagem da aids. A imprensa passou a dar mais destaque para as questões científicas do que para as comportamentais  envolvendo a doença e teve importante papel para instruir e conscientizar a população de como evitar a contaminação pelo HIV. A função social da imprensa estava ajudando a fortalecer o trabalho do governo e das ONG na prevenção ao vírus.
Na década de 90, a abordagem diferenciada teve ótimos resultados: mudança de comportamento da população; acompanhamento da evolução das instituições nos campos científico e tecnológico; cobrança de resultados; fiscalização das instituições encarregadas do atendimento à população; fortalecimento da organização civil e apoio aos direitos humanos dos portadores. A partir de 2000, a atuação da imprensa foi um dos pilares fundamentais na luta entre laboratórios multinacionais, governo e sociedade civil organizada para facilitar o acesso aos  medicamentos anti-retrovirais às pessoas que vivem com HIV/Aids. A população continua frente a uma epidemia que pode ser evitada com a prevenção. O trabalho conjunto entre governo, sociedade civil organizada e imprensa é de vital importância para que não haja nenhum retrocesso nessa batalha que ainda não foi vencida, mas que será em breve, com a descoberta de uma vacina que possa livrar o mundo da aids.  E deixá-lo um pouco mais tolerante e solidário.


Paulo Roberto Teixeira, coordenador do programa de combate à Aids da Organização Mundial da Saúde. Falar com Jhoney Luis Barcarolo (Assessor do Dr. Paulo na OMS)Celular (00XX)41 76 479-3245

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