Por Pedro Chequer
A informação cada vez mais se torna um pré-requisito essencial para a construção de processos democráticos e transparentes, para o desenvolvimento, formação e preservação da cultura de um povo e também como instrumento essencial para a difusão do conhecimento cientifico, a promoção da saúde, a prevenção de agravos à saúde e de eventos adversos de um modo em geral. Todavia, e em especial no campo da saúde, sua precisão e fundamentação com base na evidência e nos fatos, são aspectos imprescindíveis a serem permanentemente considerados, haja vista possíveis conseqüências adversas decorrentes, por exemplo, de uma orientação inapropriada quanto a determinado procedimento para adoção pela coletividade ou à veiculação de determinado eventos que não correspondem aos fatos ou incorporam leituras cujo viés nos leva a interpretações equivocadas, e até mesmo trazendo danos e conseqüências adversas aos atores envolvidos.
Vê-se, portanto, que a informação, na dependência do seu modo de construção ou objetivo a que se destina, pode também vir a ser um poderoso instrumento de desserviço à causa coletiva e sua utilização com este fim deve ser coibida, tendo como referência códigos de ética ou normas jurídicas pertinentes estabelecidas.
A existência de veículos de comunicação que buscam a imparcialidade e registram os fatos com o único e certamente mais que nobre objetivo de gerar massa critica para o debate e orientação da comunidade quanto a aspectos concernentes ao seu bem-estar certamente é o ideário almejado por toda sociedade democrática. Sem dúvida, sua existência se faz presente no Brasil, como em outras partes do mundo e, nessa perspectiva, no campo do HIV, a Agência de Notícias da Aids tem sido parceira diuturna na veiculação da informação de modo imparcial, basta rever seu conteúdo ao longo de sua existência, oferecendo oportunidades a diferentes pontos de vista, inclusive àqueles que não correspondem à sua linha editorial, e à verificação da procedência e pertinência das informações veiculadas.
A instalação de uma agência com características semelhantes em Moçambique, proposta à qual se somam o UNAIDS, diversas agências da ONU, parceiros locais e o Centro Internacional de Cooperação Técnica em HIV/Aids (CICT), uma iniciativa conjunta do governo brasileiro e do UNAIDS, certamente trarão benefícios semelhantes à causa coletiva e em particular as atividades concernentes ao HIV. Sem dúvida, o grande desafio da Agência, repousa na ampliação do acesso ao principal instrumento utilizado para difusão das informações: sua página na internet. Todavia, considerando o rápido avanço da tecnologia da informática em Moçambique, esse obstáculo certamente será, a médio prazo, superado, podendo assim alcançar a Agência seus objetivos.
Por outro lado, no Brasil, a Agência Aids tem sido fonte de informação que se replica por jornais, rádios e listas de distribuição em todo o país, complementando possíveis lacunas quanto ao acesso direto e cumprindo um excelente papel de difusão da informação, na perspectiva da ênfase no respeito aos direitos humanos, à diversidade de opinião, de gênero, de raça e de orientação sexual. Estas características certamente se incorporarão ao novo projeto que ora se instala, trazendo oportunidades concretas de acesso a informação para a população moçambicana.
É com grande expectativa que vemos a instalação da Agência de Notícias sobre SIDA em Moçambique, país onde tivemos o privilégio de viver por cinco meses a serviço do UNAIDS e pelo qual, pessoalmente, tenho especial carinho, apreço e ricas lembranças de sua gente amiga, cheia de esperança e força para lutar com garra e alegria por um porvir mais humano, equânime e justo. Que a Agência de Notícias sobre SIDA possa registrar e disseminar também essas características tão positivas do povo moçambicano.
Coordenador do Unaids (Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids) no Brasil
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