Marta McBritton
Em 2004, a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PN), perguntou à população em geral, cuja idade variava entre 15 e 54 anos, onde elas gostariam de comprar preservativos, fora do segmento convencional (farmácias e supermercados).
Respostas? 77% das pessoas comprariam camisinhas em danceterias e boates, 52% em bares, 49% em lojas de conveniência, 42% em bancas de jornal. Coincidentemente, estes pontos comerciais costumam abrir nos feriados, principalmente no Carnaval.
A lei federal 10 449 – permite que o preservativo masculino seja vendido em qualquer estabelecimento comercial, independente do alvará de funcionamento. E a “lei” do comércio reza que onde existe a demanda (e neste caso ainda respaldada pela legalidade), há a oportunidade de sucesso de venda. No caso da camisinha, podemos citar outros facilitadores para que ocorra a comercialização com sucesso, é um produto barato, geralmente com validade longa e que ocupa pouco espaço. E no carnaval ainda há propaganda gratuita incentivando o uso, inclusive na TV…
Então, porque ainda é tão difícil encontrar o preservativo em outros locais, fora do eixo farmácia e supermercado?
Provavelmente, alguns responderão que a lei é desconhecida, ou o lucro é pequeno. Bem, a lei poderia ser divulgada…E quanto ao lucro? O ganho na revenda de cigarro não é lá muito significativo e encontramos cigarro por toda parte… Será então uma questão “moralista”? Mas, os bares vendem bebidas alcoólicas, que muitas vezes facilita o comportamento de risco. Também as bancas de jornal e bares, não se furtam a colar nas suas paredes e prateleiras cartazes e revistas, digamos, de conteúdo “erótico”? Não seria esta também uma excelente oportunidade para que os comerciantes trabalhassem sua imagem de responsabilidade social?
É uma pena, que neste caso, a lei do mercado não funcione. Felizmente, ainda há algumas ONGs, que por meio da estratégia de mercado social, tem levado preservativos aos mais variados pontos de venda. Esta técnica somada a distribuição “gratuita” pelos serviços de saúde, aumenta o quantitativo de preservativos ofertados à população. Além de possibilitar que a camisinha possa ser mais facilmente adquirida na hora “H”, no momento que as relações se dão…
A sociedade teria muita a ganhar se estas ações fossem ampliadas e apoiadas pelos órgãos governamentais e iniciativa privada (leia-se empresas de preservativo)…
Enfim, nunca é tarde – afinal no Brasil, temos muito “Carnaval fora de época…”.
Marta McBritton é coordenadora do Instituto Cultural Barong
Apoios


