MORTALIDADE POR HIV/AIDS NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO/ Denise Brandão é médica infectologista

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Em seis meses de atividade, o GT-Mortalidade já realizou a análise do banco do PRO-AIM no período de 2002 a 2006. De acordo com este banco, o número de óbitos por AIDS como causa básica e causa associada do óbito manteve-se estável, entre 2002 e 2006, e não ultrapassou 1200 óbitos em nenhum dos anos do período avaliado. Houve maior porcentagem de óbitos no sexo masculino, 68% dos casos, e a média de idade, no momento do óbito, foi de 41 anos.

No XV Congresso Brasileiro de Infectologia em outubro de 2007, o GT de Mortalidade apresentou um estudo que desenvolveu utilizando a linkagem dos bancos do PRO-AIM com Sistema de Vigilância em Serviços (VIGISERV), sistema utilizado pelas 15 unidades de assistência da Rede Municipal Especializada em DST/AIDS (RME). O estudo mostra que 25% dos casos de óbito da cidade de São Paulo estavam em acompanhamento nos serviços da RME e os demais nas outras instituições de saúde da rede pública com atendimento especializado (Hospital Emílio Ribas, Casa da Aids, CRT, entre outros).

A linkagem de bancos apontou como fatores importantes para óbito por HIV/AIDS, o CD4 abaixo de 200 células e o índice de não-adesão, coincidindo com diversos trabalhos nacionais e internacionais sobre o tema.

A produção do GT-Mortalidade indicou para o Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo que ações prioritárias que vem sendo adotadas na Rede Municipal Especializada – RME devem ser mantidas e implementadas, com o objetivo de redução contínua da taxa de mortalidade por HIV/AIDS no município. Para fortalecer a adesão, as abordagens são desenvolvidas de forma individual, nas diversas idas dos usuários aos Serviços, e por meio de grupos, de acordo com a avaliação dos profissionais de saúde e interesse dos usuários. São grupos desenvolvidos com crianças, adultos e adolescentes, por meio de diversas técnicas. São realizados também grupos específicos, com profissionais do sexo, familiares, gestantes, mulheres e gays.

Desde o final de 2005, com a implantação do fluxo de preenchimento facial para redução de danos da lipoatrofia facial, foi possível perceber uma melhoria da auto-imagem de muitos usuários dos serviços, indicando um novo elemento para uma melhor adesão. Outro elemento, ainda relativo à lipodistrofia, tem sido o incentivo à realização de atividades físicas. Para as pessoas que estão impedidas de comparecer aos Serviços, existe o programa de Atendimento Domiciliar Terapêutico (ADT). A implantação do teste rápido como escolha do usuário, nas 24 unidades da RME, é outro fator fundamental para o diagnóstico precoce do HIV/AIDS, considerando o número de pessoas que não retornam para buscar o resultado de sorologia convencional.

A análise sistemática de dados epidemiológicos constitui um dos elos de ligação comunidade e governo, estimulando a prática da cidadania por meio do controle social dos serviços de saúde. Além disto, a epidemiologia é o eixo da saúde pública ao proporcionar dados essenciais para o planejamento, execução e avaliação das ações de prevenção, controle e tratamento das doenças, bem como para estabelecer prioridades, como o seu papel fundamental no enfrentamento das causas da mortalidade em Aids e da epidemia do HIV.

Denise Brandão de Assis é médica infectologista e mestre em Epidemiologia

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