Por Michel Sidibé
Este Dia Mundial de Luta contra a Aids nos enche tanto de esperança quanto de preocupação.
Esperança porque avançamos significativamente rumo ao acesso universal. O número de novas infecções pelo HIV diminuiu. Menos crianças nascem com o vírus. E mais de quatro milhões de pessoas estão em tratamento.
Preocupação porque mesmo depois de 28 anos de epidemia, o vírus segue abrindo caminho entre novas populações e o estigma e a discriminação continuam a minar iniciativas que buscam reduzir a epidemia. Devemos acabar com a violação aos direitos das pessoas que vivem com HIV, mulheres, meninas, homens que têm relações sexuais com outros homens, pessoas trans e usuários de drogas injetáveis.
O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon convocou a “todos os países para que cumpram seus compromissos de promulgar e implementar leis que proíbam a discriminação às pessoas que vivem com HIV e a membros de grupos vulneráveis”. Neste Dia Mundial de Luta contra a Aids, trabalhemos de maneira urgente para eliminar as leis e práticas punitivas e por fim à discriminação e à criminalização das pessoas afetadas pelo HIV.
Neste Dia Mundial de Luta contra a Aids, atuemos também em favor da prevenção do HIV. Para cada duas pessoas que começam o tratamento, cinco se infectam. Com grande frequência, os programas de prevenção não chegam àqueles que mais necessitam.
Podemos eliminar a transmissão materno-infantil do HIV. Podemos capacitar os jovens para que se protejam do vírus. Podemos acabar com a violência contra mulheres e meninas. Podemos proteger da infecção os usuários de drogas injetáveis. E podemos reduzir a transmissão sexual do HIV.
Os resultados já alcançados são frágeis e devem ser mantidos. A crise econômica não deveria se converter em uma razão para reduzir os investimentos em saúde. Os ajustes econômicos devem ser realizados a partir de uma perspectiva que respeite os direitos humanos e mantenha a atenção aos mais vulneráveis. Esse é o momento de aumentar, e não de reduzir, os fundos para a aids..
A aids oferece um grande mecanismo para a criação de programas integrados de saúde, direitos humanos e desenvolvimento. Devemos tirar a aids do isolamento e a criação de um amplo movimento social acelerará o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids nos oferece a oportunidade, a cada um de nós – indivíduos, comunidades e líderes políticos – de passar à ação para fazer do acesso universal uma realidade.
Diretor Executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids – UNAIDS
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