A cidade de São Paulo, maior metrópole do Brasil e da América Latina, celebra mais um aniversário neste dia 25. E diante da diversidade populacional e da intensa dinâmica urbana, a política de prevenção ao HIV torna-se um pilar fundamental para a promoção da saúde, a redução de novas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e a garantia de qualidade de vida para a população.
Os esforços da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), envolvem um conjunto integrado de ações que incluem educação em saúde, testagem ampla e acessível, tratamento como forma de prevenção, redução do estigma e fortalecimento da rede de atenção básica e especializada. Essas estratégias são essenciais para alcançar diferentes grupos sociais, respeitando suas especificidades culturais, econômicas e sociais.
Estruturar serviços com base na realidade das pessoas, formar profissionais para o acolhimento integral e dialogar diretamente com a sociedade civil são alguns dos princípios que norteiam a atuação da Coordenadoria de IST/Aids e da Rede Municipal Especializada em IST/Aids da capital. Com isso, e levando em conta os avanços científicos na área, a cidade avança na promoção do acesso à saúde pública por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o último Boletim Epidemiológico de HIV da capital, a cidade de São Paulo completa oito anos consecutivos de redução nas novas infecções por HIV, com redução acumulada de cerca de 55% desde 2016. Em 2024, foram registrados 1.766 novos casos, frente a 3.761 em 2016. Entre jovens de 15 a 24 anos, a redução chegou a 59% no mesmo período. Os casos de Aids, por sua vez, apresentam queda contínua há mais de uma década.
Esses resultados refletem uma política baseada na ampliação do acesso à prevenção, no diagnóstico oportuno, no início imediato do tratamento e no cuidado contínuo. E quando se trata de cuidar de pessoas, é necessário levar os serviços até elas, garantindo que elas tenham a oportunidade de se prevenir, se testar e se tratar enquanto se locomovem para o trabalho, os estudos ou o lazer. A cidade de São Paulo é, hoje, um exemplo de como esse olhar atento às realidades faz toda a diferença.
Por isso, as tecnologias inovadoras de promoção do acesso prático, rápido e seguro aos serviços são destaque na política atual da cidade. A implantação de máquinas automáticas de entrega das profilaxias pré e pós-exposição ao HIV (PrEP e PEP, respectivamente) em estações estratégicas do Metrô e os resultados obtidos a partir deste desenvolvimento indicam um caminho promissor rumo à eliminação da epidemia de HIV, enquanto agravo de saúde pública. Como exemplo, destaca-se a instalação de armários automáticos para retirada de autotestes de HIV em diferentes espaços públicos da cidade, como a Galeria Olido e o Parque Augusta, no centro, o Centro Cultural da Juventude, na Brasilândia, o Centro Cultural Grajaú, na zona sul, e o Terminal de Ônibus da Lapa, na zona oeste, que reforçam o compromisso de disponibilizar prevenção e diagnóstico em territórios onde há populações desproporcionalmente impactadas pela epidemia de HIV, conforme revelam os estudos epidemiológicos.
Outras iniciativas que colocaram a capital na vanguarda da promoção do acesso na área foram a Estação Prevenção – Jorge Beloqui, localizada na Estação República da Linha 3-Vermelha do Metrô (que funciona de terça a sábado, das 17h às 23h), o CTA da Cidade (unidade móvel que percorre diferentes regiões levando testagem, prevenção e tratamento, de quinta a domingo, das 17h às 22h) e o Canal SPrEP – PrEP e PEP online, que oferece teleconsultas todos os dias, inclusive aos fins de semana e feriados, das 18h às 22h, por meio do aplicativo e-saúdeSP.
Os dados indicam os benefícios obtidos com estratégias que priorizam as pessoas: apenas entre janeiro e dezembro de 2025, foram registrados 21.900 novos cadastros em PrEP, um crescimento de cerca de 40%, além de 43.240 dispensações de PEP. Atualmente, cerca de 80 mil pessoas estão cadastradas para o uso da PrEP, o que consolida São Paulo como a maior base de usuários dessa estratégia no Brasil.
Além disso, mais de 96% das pessoas vivendo com HIV em tratamento na rede municipal especializada em IST/Aids (RME-IST/Aids) apresentam supressão viral, indicador que expressa a qualidade e a regularidade do cuidado oferecido pelo SUS na cidade. A Coordenadoria de IST/Aids conta com projetos e atividades que buscam estimular a continuidade do tratamento e encontrar pacientes que o abandonaram, por qualquer motivo que seja.
A cidade também se tornou a primeira do mundo de seu porte a eliminar a transmissão vertical do HIV, da pessoa gestante para a criança.
Ao completar 472 anos, São Paulo reafirma o compromisso de proteger vidas, reduzir novas infecções e promover uma sociedade mais informada, solidária e saudável. Investir continuamente nessas ações é garantir não apenas saúde pública de qualidade, mas também dignidade e cidadania para todos. E nossa cidade mostra, na prática, que quando essa escolha é feita com seriedade e compromisso público os resultados transformam a realidade.
* Cristina Abbate Coordenadora de IST/Aids da Cidade de São Paulo.
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