É recorrente no movimento contra a aids a queixa de que a TV trata mal a questão e que resume a tragédia a estatísticas frias nos telejornais. O curioso é que essas mesmas entidades, que reclamam da falta de sensibilidade da mídia para com um problema tão grande, reagem, até com liminares, quando a TV faz um programa mais aprofundado sobre o assunto. “As Sete Faces de Uma Guerra”, documentário de Paulo Markun que a TV Cultura exibiria na noite de sábado, é uma dessas reflexões que a televisão nunca faz. Mesmo assim, foi barrada. Os descontentes falam de preconceito, de atentado contra o Estatuto da Criança e outras razões. Como o assunto é sua especialidade, as ong aids foram a fundo na análise do programa e descobriram “desvios” que o telespectador médio não reconheceria.
Preocuparam-se tanto com os detalhes, que não conseguiram enxergar o conjunto. O documentário “As Sete Faces de Uma Guerra – O Brasil Contra a Aids” é um dos melhores painéis que a TV fez sobre o assunto. O programa apresenta informações consistentes sobre todas as fases da doença e as medidas tomadas para combatê-la de maneira isenta. Não toma partido, simplesmente apresenta. Os depoimentos de especialistas e vítimas é que humanizam o problema. São esses personagens que delineiam as proporções dessa tragédia da vida moderna. Contextualizam a devastação da doença. E dessa maneira, prestam um serviço de conscientização do público. Público esse impedido de ver um bom documentário pela incompreensão de um segmento que enfrenta bravamente o preconceito, a desinformação e o descaso da mídia, mas que não entendeu a iniciativa da TV Cultura.
Leila Reis é crítica de TV de O Estado de S.Paulo e conselheira da Agência de Notícia da Aids. (0XX11) 3673-4452
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