HUMANIZAR É PRECISO – Valéria Bianchini é psicóloga e coordenadora do Projeto Tear

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Valéria Bianchini

Muito se fala sobre reformar o modelo de atendimento aos portadores de transtornos mentais. A teoria não transmite tão bem como a prática o quanto a humanização do atendimento pode melhorar o quadro geral do paciente e mudar o rumo de sua vida, deixando para trás palavras como manicômio e exclusão social. O Projeto Tear – Oficinas de Trabalho Terapia e Arte é um exemplo prático disso.

Trata-se de uma iniciativa de transformação no atendimento da saúde mental. Por meio de uma parceria entre a Associação Cornélia Vlieg, a Prefeitura de Guarulhos e a Pfizer, criou-se em agosto de 2003 um projeto social de capacitação e reinserção profissional de pessoas portadoras de transtornos mentais por meio de oficinas de trabalho. Os pacientes são encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de Guarulhos e podem escolher entre uma das sete oficinas: mosaico, gráfica, vitral, velas, papel reciclado, tear e costura e marcenaria.

As oficinas funcionam de segunda à sexta-feira das 7h às 17h e são acompanhadas por psicólogos, terapeutas ocupacionais e um artesão que monitora a atividade. Os produtos criados são vendidos e parte da renda é revertida para a compra de novos materiais e equipamentos e a outra parte é dividida entre os pacientes na forma de bolsa-oficina. O rateio da arrecadação conta com a participação de todo o grupo com base em vários critérios, como freqüência, responsabilidade, iniciativa, relação com o grupo, etc.

No começo das atividades do Tear, a venda dos produtos era feita em bazares e feiras. Com o objetivo de incrementar as vendas, foi implantado em abril de 2004 um espaço para comercialização que funciona junto ao projeto.

Atualmente, 100 pacientes são atendidos pelo Tear, onde o aprendizado de técnicas, respeito a normas e regras, e relacionamento interpessoal são enfatizados. Podemos perceber no discurso dos usuários que, aos poucos, estamos alcançando nossos objetivos: “aprendi a compartilhar problemas com colegas”; “ao conversar com os outros percebi que os obstáculos não são tão difíceis de serem superados” ou “aprendi que não dá para ser independente totalmente dos outros e que, às vezes, quem você menos imagina pode auxiliá-lo”.

Estes dados são importantes para nossa avaliação, uma vez que o projeto tem como eixo a inclusão e reabilitação psicossocial dos usuários, possibilitando assim o aumento do grau de autonomia, da auto-estima, do respeito com o outro e fortalecimento das relações sociais.

Valéria Bianchini é psicóloga e coordenadora do Projeto Tear

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