Há séculos a sífilis nos consome com sofrimentos. Há séculos a sífilis nos inebria de arte, cultura, história, memórias

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Onde existem números, porcentagens, lesões, dinheiro, poder, status, reagente, não-reagente, positivo, negativo, eu procuro enxergar e valorizar pessoas, a Biodiversidade.
A Humanidade é o Centro de Tudo ou Uma das artes do Universo?

A Sífilis é enganadora? Nos deixamos enganar? Sífilis é negligenciada?
( faculdades – postos de saúde … supervisão geral )

Cabe cobrar responsabilidades? SIM é a resposta para todas as perguntas anteriores.

Desafios sobre o agente etiológico – Treponema pallidum

Período de Incubação – 21 a 30 dias, após contato infectante.

Porém, pode variar de 10 a 90 dias, dependendo do número e virulência de bactérias e da resposta imunológica do hospedeiro.

Agente etiológico
Treponema pallidum subsp. pallidum. Brasil, 75% (n=6) das amostras foi SS14 lineage, enquanto 25% (n=2) foi Nichols. (ainda não publicado)
É uma bactéria espiroqueta que não se cora pela técnica de Gram (embora tenha algumas características de bactéria Gram-negativas).

Cresce com muitas dificuldades em meio de cultivo artificial (publicação recente fez cultivo in vitro). É sensível ao calor, detergentes, antissépticos e frágil para sobreviver em ambientes secos. É patógeno “exclusivo” do ser humano.

Dados epidemiológicos

São mais de um milhão de casos de quatro DST curáveis a cada dia no mundo. Foi publicado em Outubro de 2024.

– Natimortos por sífilis congênita foram 371
– Total de mortos por Sífilis congênita 567

50 anos ou mais separado por sexo, o crescimento é maior em mulheres.

Tabela 9.B – Distribuição percentual de casos de gestantes com sífilis segundo classificação clínica por ano de diagnóstico. 2005-2024.

Desafios no Diagnóstico

A sífilis é doença enganadora, pois pode apresentar INÚMERAS ALTERAÇÕES CLÍNICAS.
E pode ser sífilis com pessoa assintomática.

Desafios no Tratamento

É a penicilina o antibiótico padrão para tratamento. Assim, existem poucos outros antibióticos seguros para tratamento. Não gestante, só a penicilina pode tratar a mãe e o bebê no ventre materno.

Desafios na Vigilância Epidemiológica

LEI Nº 6.259, DE 30 DE Outubro DE 1975

Dispõe sobre a organização das ações de Vigilância Epidemiológica, sobre o Programa Nacional de Imunizações, estabelece normas relativas à notificação compulsória de doenças, e dá outras providências.

Título III – da Notificação Compulsória das Doenças

Art. 07 – São de notificação compulsória às autoridades sanitárias os casos suspeitos ou confirmados;
Art. 11 – Recebida a notificação, a autoridade sanitária é obrigada a proceder à investigação epidemiológica pertinente para elucidação do diagnóstico e averiguação da disseminação da doença na população sob risco.

Embora tenha lei, a vigilância dos casos de sífilis, na prática, praticamente não existe. Assim, não se determina as oportunidade perdidas para autocorreção das falhas.

Desafios na Prevenção

. Ainda sem vacina
. Curva ascendente de incidência em população acima de 50 anos (como conversar com essa população?
Sem fortes apelos de matérias jornalísticas.

Desafios nas Atitudes

Além de CONHECIMENTOS sobre um tema, temos que ter HABILIDADES para lidar com as várias situações. E mais, há de ter ATITUDES para transformar a situação.

Onde estão as decisões políticas para enfrentamento da verdadeira epidemia de sífilis?

Sem decisão de que é necessário atitudes não poderão ser dados os passos para planejamento.

– Decisão política dos gestores de cumprimento dos deveres, seus e de suas equipes.


Niterói. Segunda fala de vereador do Município a árvore de 2022 custou R$ 8 milhões.

Avião em praça de Ipiabas, Barra do Piraí, RJ. O avião foi grátis, mas levar até lá, pintar, fazer praça … Veja Rio diz 10 milhões.

As taxas de sífilis congênita nesses municípios (e em muitos outros) são inaceitáveis.
Ver dados em: https://indicadoressifilis.aids.gov.br/

As cidades do Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre têm números alarmantes de sífilis congênita.

Compromissos para eliminação da sífilis congênita?

– Decisão política dos gestores de cumprimento dos deveres, seus e de suas equipes.
– Revisão das fichas de notificação de SC (cuidado para colocar sífilis em quem não tem).
– Investigação epidemiológica de cada caso de SC. Equipe para vigilância epidemiológica.
(lembramos, cumprimento da lei)
– Educação em saúde, busca ativa de gestantes, de parcerias sexuais.
– Implementação sistemas de informação.
– Parcerias com sociedade cível, sociedades de profissionais, imprensa …

Desafios para novas abordagens
. Arte
. História
. Memória

A Sífilis nas obras de William Shakespeare

A sífilis também aparece nas obras do maior dramaturgo da história, o inglês William Shakespeare. O estudo presente na obra “Shakespeare and the New Disease”, de Greg W. Bentley (1989), apresenta as referências à sífilis em “Troilo e Créssida” (Troilus and Cressida, 1602), “Medida por Medida” (Measure for Measure, 1603) e “Timão de Atenas” (Timon of Athens, 1606). E mais, revela como Shakespeare emprega grupamento de de imagens para revelar e definir os principais temas das peças: comércio sexual, calúnias e usuras.

O Castigo

O conto 25 O Castigo, de “A Vida Como Ela É”, primeira edição em 1961, do jornalista, dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, traz a história de Odésio, diagnosticado com sífilis, que decide não se tratar à espera dos sintomas da “loucura” e das liberdades que teria com isso.


Nelson Rodrigues

“Sífilis, rapaz! No último grau!”


Eu em congresso médico fazendo leitura dramática do conto de Nelson Rodrigues.

A Herança

Esta obra do renomado pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944) surgiu de uma experiência do artista em um hospital de Paris. Em uma sala de espera, ele observou uma mãe desfeita em lagrimas, com seu filho moribundo no colo. A criança estava infectada com sífilis congênita. O corpo da criança e representado com uma cabeça anormalmente grande, membros finos e uma erupção vermelha no peito.


Arte de rua reinterpretando uma obra de Edward Munch (Herança) pintada por Airá Ocresco. Ideia e concepção de releitura de Mauro Romero Leal Passos. A obra está no muro da estação Maracanã do metrô, na cidade do Rio de Janeiro.

EXPOSIÇÕES SOBRE SÍFILIS

Nessa parede, encontramos mensagens inspiradoras sobre o impacto da exposição Precisamos Falar mais Sobre Sífilis, sem Preconceitos!, deixadas por uma diversidade de pessoas, incluindo estudantes do ensino médio, universitários, pesquisadores, cidadãos, médicos e outros profissionais de saúde.

Além disso, alguns talentosos músicos adicionaram uma camada extra de arte ao tocar neste piano.

A exposição foi realizada na Associação Médica Fluminense, Niterói, RJ.

Pode ser baixado grátis
https://dstbrasil.org.br/conteudo-especializado/

Peça teatral de Mauro Romero e Miguel Tilli
Botica del Ángel, Buenos Aires, Argentina
18.10.2025 – Terceiro Sábado de Outubro
Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, Lei 13.439

Qual postite devemos afixar na geladeira?

Mauro Romero Leal Passos é médico, professor titular e chefe do Setor de DST da Universidade Federal Fluminense. Fundador e primeiro presidente da Sociedade Brasileira de DST. Idealizador do projeto que evoluiu para a proposta de lei do Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita 9Lei 13.430).

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