FORÇA-TAREFA PELA COMUNICAÇÃO EM HIV/AIDS – Luciano Milhomem Consultor de Mídia e Parcerias – coordenador do GT de comunicação do UNAIDS no Brasil

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Luciano Milhomem – UNAIDS no Brasil


Há dois anos que centenas de prefeitos de todo o Brasil instalam um laço vermelho em um local de destaque em suas cidades na semana do 1º de dezembro, Dia Mundial da Luta contra a Aids. A iniciativa é uma resposta ao pedido do UNAIDS e do Ministério da Saúde, que semanas antes envia carta a cada um dos mais de 5.600 alcaides brasileiros fazendo a sugestão.


A maioria dos prefeitos não somente instala o Laço Vermelho, símbolo mundial da luta contra a aids, mas também organiza evento para informar e sensibilizar as populações municipais. Metrópoles como São Paulo exibem laços gigantes, como o exposto no Monumento às Bandeiras, em 2002, e o que enfeitou o edifício Banespão em 2003. Cidades menores não ficam atrás. Expõem, orgulhosas, o Laço sobre caixas d’água, bustos de praça, torres de TV. Em alguns municípios, a população envolve-se na organização de feiras, debates, palestras. A maioria dos munícipes tem acesso à mensagem pela prevenção a um vírus que já infectou mais de 40 milhões de pessoas em todo o planeta.


Em 2003, mais de 30 jovens radialistas, de diversas regiões do país, encontraram-se em Salvador para ouvir especialistas em HIV e aids, uso indevido de drogas e eqüidade de gênero em uma oficina que lhes possibilitou também gravar programas radiofônicos baseados nas palestras. Receberam e trocaram informação. Construíram uma rede de contatos. Voltaram para casa dispostos a utilizar e compartilhar, sempre que possível, o que aprenderam na oficina.


Por trás das duas iniciativas, uma equipe tão heterogênea quanto entusiasmada: o Grupo de Trabalho de Comunicação do UNAIDS no Brasil ou simplesmente GT de Comunicação, que reúne profissionais de comunicação do Sistema ONU no Brasil (OIT, OPAS/OMS, UNESCO, UNFPA UNICEF, UNODC), do Governo Federal (Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde; Secretária Nacional Antidrogas; e Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores) e de agências de cooperação bilateral (USAID, do Governo dos Estados Unidos, e GTZ, da Alemanha).


O GT de Comunicação foi oficializado por uma instância superior, o Grupo Temático do UNAIDS no Brasil, espécie de conselho deliberativo do programa no país. Dessa forma, o GT de Comunicação obteve o apoio de todos os representantes do GT do UNAIDS e converteu-se em um subgrupo, com autoridade para debater e sugerir soluções para os desafios da aids no Brasil. Tudo isso graças à representatividade, que inclui o próprio Governo brasileiro.


Direta ou indiretamente, cada um dos membros do GT contribuiu para o êxito da Campanha do Laço Vermelho e para a oficina dos jovens radialistas. Para a campanha, além da doação de envelopes, o trabalho de envelopamento das cartas e de remessa gratuita pelos Correios envolveu amplo apoio logístico.


Mas foi na oficina dos jovens radialistas que o GT se consolidou e atuou como verdadeira força-tarefa. Ao longo de mais de seis meses de reuniões consecutivas, o grupo discutiu, elaborou, planejou e executou o projeto da oficina. Antes e durante o workshop de Salvador, todos participaram com idéias, sugestões, críticas e, sobretudo, como facilitadores junto aos jovens. Pela primeira vez no Sistema ONU, houve a união de todos os assessores de comunicação em torno de um mesmo projeto, apoiado por parceiros imprescindíveis.


O resultado concreto, além da capacitação dos jovens, traduziu-se em um CD ROM, patrocinado pela GTZ, e em uma publicação a serem lançados em breve. No CD, estão um vídeo com os principais momentos da oficina, os seis programas gravados nos estúdios especialmente montados para o workshop, a relação completa de todos os envolvidos no projeto, além de textos explicativos. Na publicação, estarão a descrição detalhada e a avaliação geral do trabalho. Ambos os produtos serão distribuídos a entidades que tenham o potencial de replicar a experiência. Pois a idéia por trás de todo o projeto era justamente realizar uma espécie de balão de ensaio que servisse de modelo experimental para quem desejar investir em uma iniciativa semelhante.


No processo de construção coletiva da oficina dos jovens radialistas esconde-se a semente de uma proposta maior: desenvolver e explorar ao máximo o potencial de um trabalho em conjunto. Da forma a mais democrática possível – todos têm direito a voz e “voto” – e, em reuniões quase informais, o GT de Comunicação evita que se redescubra a roda sempre que projetos de mídia venham à tona e permite que as propostas encaminhadas sejam debatidas por especialistas no tema.


Coordenado pelo UNAIDS, o GT de Comunicação tem novas missões pela frente, e a principal delas é levar adiante a Campanha do Laço Vermelho – recentemente aprovada para exibição em pôster na XV Conferência Internacional sobre HIV/Aids, que terá lugar na Tailândia, em julho próximo – e as campanhas temáticas mundiais do UNAIDS – que neste ano têm como foco mulheres e meninas.


Vale destacar que o trabalho desse grupo é uma prova de comprometimento e engajamento à causa da aids. Todos os integrantes subtraem parte de seu disputado tempo, em suas respectivas organizações, para comparecer a reuniões e tomar providências que permitam levar adiante os projetos conjuntos em andamento. O capital humano envolvido nessa empreitada é impagável. Tantas cabeças reunidas em torno da mesma causa potencializam a capacidade de reflexão e ação do UNAIDS no domínio da comunicação social.


Em um cenário de recursos humanos e financeiros limitados, a união definitivamente faz a força. Muito menos seria realizado sem a boa-vontade, a inteligência e a disponibilidade de uma equipe espontaneamente motivada. Novos passos estão programados, entre eles a expansão do grupo. A meta agora é ampliar o intercâmbio de informação e a capacidade de sonhar, refletir, realizar e aprender juntos. Se a causa é grande, o desafio não é menor.



Luciano Milhomem é Consultor de Mídia e Parcerias e coordenador do GT de Comunicação do UNAIDS no Brasil. E-mail de contato: luciano@undp.org.br Telefone: (0XX61) 329-2108

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