Artur Kalichman
A epidemia de HIV/Aids tem vinte anos. Até o momento foram notificados
em torno de 310.000 casos de Aids no Brasil (2003), destes cerca de 140.000 no Estado
de São Paulo. Diante da magnitude da epidemia, que atinge principalmente países em
desenvolvimento, a melhor estratégia para seu controle é o desenvolvimento
uma vacina segura, eficaz e acessível.
O Programa Nacional DST/Aids e a Coordenação Estadual DST/Aids de São
Paulo vêm participando do esforço internacional em busca de uma vacina anti-hiv.
>Neste momento, há três centros brasileiros (CRT DST/Aids-SP, Unifesp e
Projeto Praça Onze-RJ) envolvidos num estudo de fase I, que tem como principal
objetivo avaliar a segurança do produto candidato a vacina MRKAd5
HIV-1gag, desenvolvido pelos Laboratórios de Pesquisa Merck em colaboração com a
HVTN (HIV Vaccine Trials Network – Rede de Ensaios de Vacinas anti-HIV) e a
Divisão de Aids, órgão ligado aos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados
Unidos.
O estudo testará a segurança do produto, ou seja, seus possíveis efeitos
colaterais e tolerância, e ainda medirá a resposta imune em laboratório. O
produto candidato a vacina é produzido artificialmente, portanto, não há
em hipótese alguma a possibilidade dos voluntários virem a infectar-se.
Cada um desses centros no Brasil deverá recrutar 18 voluntários, adultos
saudáveis, não portadores do vírus HIV, na faixa etária de 18 a 50 anos. O
estudo terá duração de 5 anos. Aproximadamente 435 pessoas participarão do
estudo em cerca de vinte centros, em cinco regiões do mundo (América do
Norte, América do Sul, Caribe, África e Sudeste da Ásia).
O processo de descoberta de uma vacina é lento, requer estudos minuciosos
complexos, e mais do que isso, necessita de voluntários. Nesse sentido, é
essencial sensibilizar e informar o público sobre o processo e os produtos
a serem utilizados nos ensaios. Fazer parte desta rede significa em primeiro lugar atestar nossa capacidade de realizar pesquisas de alta complexidade, além disso é interessante
conhecer e acompanhar os processos relativos ao produto em teste desde o início; pois
se o mesmo for validado, provavelmente poderemos negociar seu custo a um
valor acessível ou propor um esquema de transferência da tecnologia. De qualquer
forma, diante da abrangência da epidemia a descoberta de uma vacina
anti-HIV eficaz é prioridade.
O Brasil, como uma referência mundial na luta contra
a Aids, não poderia deixar de integrar e marcar presença efetiva nesse
circuito internacional. Apesar de todos os esforços globais para conter a epidemia de HIV-AIDS, a cada dia ocorrem 16 mil novas infecções, principalmente nos países pobres. O
> desenvolvimento de uma vacina segura, eficaz e acessível é a única estratégia,
a médio prazo, capaz de controlar a epidemia.
Neste momento estamos selecionando 15 voluntários para o estudo de fase I
acimacitado. Interessados em saber mais sobre este estudo ou em participar como
voluntário, podem obter informações pelo telefone: (0XX11) 5087-9903 ou na
internet no endereço:
www.crt.saude.sp.gov.br/vacinas
Artur Kalichman é médico sanitarista e coordenador do Programa Estadual DST/Aids do Estado de São Paulo
E-mail: artur@crt.saude.sp.gov.br
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