*Por Diego Callisto
Sem sombra de dúvidas, as eleições 2014 evidenciaram o poder e a influência das redes sociais na decisão do eleitor brasileiro. Na corrida eleitoral desse ano, definida por críticos e pesquisadores como a mais violenta, imprevisível e acirrada da história desde 1988, quando o segundo turno foi instaurado, muito foi feito no sentido de descaracterizar, diminuir e até desconstruir determinado candidato.
Foram vídeos curtos distribuídos para viralizar, memes, gifs, banners, charges, twittaços, pins, avatares e inúmeras ações de incidência política em locais como Facebook, Instagram, Twitter, Youtube e até Whatsapp. O objetivo era fortalecer a candidatura política e sua abrangência no território nacional para conquistar cada vez mais eleitores.
O alvo dessa campanha foi, sobretudo, os jovens, que viveram o momento histórico das manifestações de junho no país traduzindo em atos a insatisfação com a gestão atual. Os mesmos que não conheceram o outro lado de governar ou têm pouca referência do governo do PSDB na presidência. Ou seja, referências necessárias para que pudessem comparar os dois modelos de governança e, diante desse cenário, avaliar qual o lado da moeda, dentre essa polarização histórica PT-PSDB, melhor traduz seus anseios, expectativas e desejos.
Enfim, as eleições de 2014 serviram, acima de tudo, para mostrar a incidência das redes sociais na opinião do eleitor brasileiro. Serviram para tornar mais acessíveis os debates sobre boa governança e as diversas formas de governar um país, possibilitando a todos os brasileiros criar eventos e manifestações em prol de seu candidato ou daquele partido que melhor refletiu suas expectativas e lutas.
As mídias sociais aumentaram o poder e o alcance da informação e da mobilização, fazendo com que fosse resgatado o sentimento de luta por um Brasil com mais avanços. Assim, o eleitor brasileiro pôde usar as mesmas redes sociais como principal arma de campanha política para mobilizar e articular contra ou a favor das decisões que envolveram seus candidatos.
É importante não perder de vista que, em meio a tudo isso, o que aconteceu com os debates na TV aberta. Foi muito prejudicial o fato de esses programas terem adotado o tom agressivo e competitivo. Além de estimular a violência e o conflito entre os eleitores, isso impossibilitou que eles conhecesse propostas e posições políticas que o ajudassem a compreender quais eram as melhores para o Brasil e, assim, fazer sua escolha de maneira consciente.
Diante de todo esse cenário eleitoral, vale destacar os grandes desafios que a eleita terá a partir de 1º de janeiro de 2015. Desafios emergenciais, que requerem uma atenção redobrada para serem superados.
Vale destacar que os compromissos com os recursos para a saúde devem ser priorizados, principalmente no tocante a verbas para combater a aids nos estados e municípios. A luta contra a doença precisa ser uma preocupação constante da esfera federal e da sua representação máxima.
O combate à aids não pode se restringir às campanhas. E mesmo essas campanhas exigem mais atenção. Elas precisam ser mais contemplativas e progressistas, tratando questões sensíveis às populações-chave, como jovens gays e pessoas trans, ainda que se mantenha a linha de fazer prevenção para a faixa dos 15 aos 24 anos, hoje a mais atingida pelos novos casos de HIV.
É preciso retornar o nosso papel histórico na resposta à epidemia e voltar a ser o melhor programa de aids do mundo e isso só será possível com um profundo comprometimento da presidenta com a pauta de HIV/aids, que inclui diálogo com os movimentos sociais, gestores e profissionais de saúde.
Vale destacar que, durante toda a corrida eleitoral, essa pauta não foi prioridade, a despeito dos dados preocupantes dos boletins epidemiológicos. Muito se falou do SUS e da sua importância histórica na política pública de saúde e na universalização do acesso à saúde. Porém, é preciso ter em mente a necessidade de fortalecer o sistema, aprimorá-lo e ampliá-lo em todos os níveis para que tenhamos uma saúde digna e eficaz.
Educação, juntamente com a saúde, foi outro pilar do jogo político das eleições desse ano. Vale destacar que nenhum programa, seja numa área ou noutra, é tão bom que não possa ou não deva ser aprimorado e ampliado.
Outro grande desafio da nova gestão é a garantia do emprego e de salário justo e digno. É certo que temos as mais baixas taxas de desemprego de toda a história do país, porém , o poder de compra do salário ainda é reduzido e não permite aos brasileiros viver com qualidade, o que afeta suas necessidades básicas, a começar pelo direito a tratamento de saúde.
* Diego Callisto é integrante da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids, do Fórum Consultivo de Juventude do Unaids e do Pacto Global para o Pós-2015.
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